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    Publicado em 18/05/2017 - 23:31 e atualizado em

    Tosse: vilã ou mocinha?




    “Tossir é bom. Expulsa as secreções e isso faz bem para a saúde”.

     

    “Meu filho não consegue dormir de tanto tossir. Ninguém dorme. Preciso de um xarope urgente”.

     

    “Estou com tosse há semanas e o médico disse que tudo bem, desde que não afete minhas atividades”.

     

    “Estou com tosse há semanas e o médico disse que precisa investigar a causa”.

     

    Quem já não ouviu frases como estas? Uns querem parar de tossir, outros não conseguem parar de tossir e se preocupam e há os que consideram a tosse como uma defesa do organismo para expelir as secreções. Afinal de contas, quem tem razão?

     

    Não obstante as afirmações sejam contraditórias, todos tem razão. Como isso pode acontecer? Acontece sim,  posto  que há vários tipos de tosse. Para cada tipo diferente, há uma conduta e uma orientação também diferente.

     

    Simples assim. Vamos entender.

     

    Primeiramente, é importante saber quais são os  tipos diferentes de tosse. Os dois mais comuns, nos extremos do espectro,  são: de um lado,  a tosse que tem muita secreção, com catarro, que é chamada de produtiva, e que por vezes até induz ao vômito de tanta secreção; e do outro lado a tosse seca, irritativa, que não tem secreção, que “arranha” a garganta e que muitas vezes é bem alta, estridulosa, barulhenta, que lembra a  tosse de cachorro.

     

    Assim, a tosse com catarro indica que há secreção nas vias respiratórias. Estas secreções podem ser provenientes de um processo infeccioso como bronquite, sinusite  ou pneumonia, por exemplo. Por isso, esta tosse é do “bem”. Isso significa que é bom tossir para expelir estas secreções que não se devem acumular nas vias respiratórias. Esta tosse não deve ser inibida sob nenhuma hipótese. Deve-se tossir e para ajudar a  eliminação das secreções, pode haver a orientação médica de alguns medicamentos mucolíticos que, como o próprio nome indica, ajudam a deixar as secreções menos “pegajosas”, mais fluidificadas e, portanto,  mais fáceis de ser eliminadas pela tosse.

     

    Já a tosse seca, irritativa, sem secreção, pode indicar um processo alérgico nas vias respiratórias. Este processo pode ser  intenso a ponto de  produzir edema ou inchaço na mucosa, aumentando ainda mais o vigor da tosse. Os músculos que nos fazem tossir ficam doídos de tanto que “trabalham”. Ninguém dorme na casa. O dia seguinte fica complicado para todos; crianças sonolentas e exaustas, pais com olheiras e sem forças para o trabalho. Claro que este tipo de tosse, que chamamos de não produtiva, pode ser controlada com a indicação médica de produtos específicos.

     

    A tosse é um sintoma. Surge quando algo fugiu da rotina fisiológica. Por isso é importante entender que não adianta tratar o sintoma, isto é, a tosse,  se a causa não foi corretamente  identificada. A história clínica,  o exame físico do paciente e eventualmente algum exame laboratorial ou de imagem é que permitem ao médico definir a causa ou o diagnóstico daquele processo específico de tosse. Por isso é que para algumas pessoas, há a orientação de que a tosse, ainda que prolongada, não é importante, e pode-se esperar passar, mesmo que demore um pouco. Para outros, no entanto, o exame clínico pode indicar que tosse, por mais insignificante que pareça ser, merece uma investigação mais ampla.


    A tosse pode ser mocinha ou vilã. O tratamento deve ter a orientação médica, uma vez que a automedicação pode também ser mocinha ou vilã para sua saúde.

    Repórter do Site Japeri Online e estudante de Letras.




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