Categoria: Colunistas

  • Os lugares que buscamos existir

    Saio do mercado, distraindo-me ao tentar ajeitar as sacolas na mão, sem perceber o que vem à minha frente. De repente, deparo-me com uma senhora, também distraída a olhar para o chão. Por pouco, não tombamos um no outro, até que ela levantou o rosto com um olhar lúgubre, um tanto perdido. Ela olha para mim e diz: “Desculpe, meu filho”. Eu a respondo dizendo que está tudo bem e pergunto se ela está bem. Ela não responde. Creio que não ouviu minha pergunta e seguiu seu caminho olhando para o chão.

    Enquanto eu seguia de volta para casa, não conseguia esquecer aquele rosto e aquele olhar, direcionado ao chão. Por que será que ela olhava para o chão de uma maneira tão compenetrada? O que será que estava à procura? Em tempos de PIX, onde quase não circula mais dinheiro vivo, quem dirá achar algum, qualquer que seja, perdido por aí. Creio que não era dinheiro o que ela esperava encontrar. Talvez estivesse procurando por si mesma. Talvez, procurando o tempo que passou. Talvez, procurando o seu sorriso de menina. Talvez, procurando o seu primeiro beijo. Talvez, procurando aqueles que já se foram. Talvez, procurando um futuro. Ou talvez estivesse procurando um lugar qualquer. Um lugar que fosse menos insalubre para a sua existência. E, quando dei por mim, pude me identificar com ela, lembrando que, em muitos momentos, sou eu a caminhar por aí a olhar para o chão.

    Assim como imagino o que ela espera encontrar, ponho-me a pensar no que estou a procurar quando olho para o chão. Se não é fácil encontrar dinheiro, pudera eu encontrar pelo menos uma moeda da sorte. Mais que isso, fico a imaginar todas as pessoas que caminham enquanto olham para o chão e me identifico com elas de alguma forma. Talvez estejamos buscando encontrar uma versão de nós que não existe mais. Talvez estejamos buscando os momentos perdidos ou os momentos que não virão. Talvez estejamos buscando um lugar para existir. Seja uma casa no campo do tamanho da paz. Seja buscando um espaço no coração, no olhar ou na vida de alguém.

    No livro “Eu só existo no olhar do outro?” (Paidós, 2025), os psicanalistas Ana Suy e Christian Dunker costuram, por meio de um belo diálogo, uma reflexão sobre o papel que o olhar do outro cumpre, ou não, na nossa construção como sujeito. Nele, podemos pensar o olhar do outro como um local de identificação, de pertencimento. O outro como medida de mim mesmo. Eu só existo porque o outro existe.

    Nesse sentido, se posso pensar no olhar do outro como identificação e pertencimento, então esse olhar pode ser visto como um lugar. Um lugar em que eu possa habitar. Um lugar em que eu possa existir. Um lugar em que eu possa ser acolhido. Logo, podemos pensar que, se esse lugar deixa de existir, deixamos de existir junto com ele. Como uma frase que ouvi uma vez, cuja autoria desconheço, mas que dizia: “Os sujeitos que não têm lugar no desejo do outro costumam seguir cegamente o destino de desaparecer”. E aqui podemos pensar no desejo do outro como seu olhar, como um lugar.

    O que podemos fazer quando não cabemos no olhar do outro, por esse não desejo? Eis uma questão cuja resposta não tenho no momento. Mas sei que daria uma outra crônica. O que sei por agora, enquanto chego em casa, é que preciso guardar as compras e seguir com a vida ordinária.

    Marcos Eugenio 06/02/2026

  • Cinema brasileiro em alta

    Cinema brasileiro em alta

    Na semana passada entrou em cartaz NOSSO SONHO, a história de Claudinho e Buchecha nos cinemas de todo o Brasil.

    O filme é muito bom, porque mostra a linda história de amizade entra os protagonistas da dupla de funk melody de maior sucesso do Brasil. Quem ainda não viu, veja!

    Além de Nosso Sonho, dois outros filmes já estão no forno para estrear nas telonas: MEU NOME É GAL e MUSSUM.

    Estes filmes são da mesma linha biográfica, porém trazem personagens bem diferentes. De um lado, Gal Costa que recentemente faleceu repentinamente e de outro, Mussum, o eterno Trapalhão.

    A importância de filmes como estes é apresentar à nova geração artistas que fizeram sucesso e a cada dia se distanciam da juventude Tik Tok.

    Veja no cinema ou no streaming (quando lançar) estes filmes e viva a história da nossa cultural.

  • Experiência Cultural Japeri Online: Musical Síndroma

    Experiência Cultural Japeri Online: Musical Síndroma

    Está em cartaz até o dia 30/7, no belíssimo Teatro Prudential que fica localizado no prédio da icônica TV Manchete, o espetáculo Síndroma.

    O musical criado e dirigido por Jay Vaquer – com a luxuosa preparação vocal de Jane Duboc, sua mãe – é uma reflexão sobre a existência humana atual. Com 29 canções escritas pelo autor, a história conta de forma ora descontraída ora profunda como Corina, interpretada pela atriz Brenda Pedrotti, busca respostas para perguntas que a atormentam.

    No decorrer de sua trajetória, ela encontra personagens que a ajudam a buscar um novo rumo a sua vida como a perturbada e sincera Sofia (Bell Cortez), o sarcástico cachorro Jeremias (Yann Dufau) e pela doutora Aletheia (Luiza Cesar). Cada personagem tem um papel determinante nos questionamentos e nas escolhas de Corina Gore.

    O espetáculo é um mergulho nessa nova vida de aparências que nos obrigam a viver, num mundo repleto de angústias, insatisfações e necessidade de autoafirmação de coisas que não precisamos para sermos felizes. A felicidade é outro ponto muito bem trabalhado no texto.

    Outro ponto alto é a banda que acompanha as quase três horas de espetáculo no qual executam com perfeição as canções inéditas e as que já fazem parte do mais recente trabalho de Jay Vaquer, Ecos do Acaso, Casos de Caos, que está disponível nas plataformas de streaming de áudio.

    Síndroma tem uma história que vai além do que se vê no palco, pois é um trabalho incrível de montagem, passando por todas as dificuldades de se criar um musical deste porte na cara e na coragem. Ela está pronta e precisa ser vista por todos.

    Serviço:

    Informações sobre o espetáculo – https://instagram.com/sindromaomusical

    Informações sobre Jay Vaquer – www.jayvaquer.blog.br

  • Rita Lee e o Japeri Online

    Rita Lee e o Japeri Online

    O dia 9 de maio de 2023 saiu de cena a mais bela e talentosa roqueira que o Brasil já teve, Rita Lee.

    Em 2014, o Japeri Online criou um projeto chamado Cultura Solidária que levou leitores do site ao Rio para assistir espetáculos teatrais e foi na primeira edição que nos deparamos com o talento de Rita Lee.

    Os jovens estudantes de teatro do Grupo Código tiveram o privilégio de assistir ao musical “Se eu fosse você” que foi inspirado nos filmes de mesmo nome que fez muito sucesso no cinema e na tv. Mas para a nossa surpresa, além da bela história representada, a trilha sonora era toda da inesquecível RITA LEE.

    O musical foi espetacular com atores talentosos e renomados como Fafy Siqueira, Nelson Freitas e Lua Blanco que daram vida aos personagens ao som das músicas de Rita Lee. “Ovelha Negra”, “Doce Vampiro” entre outras dezenas de canções que fizeram parte das vidas de milhares de pessoas da minha faixa etária.

    Quando saímos do teatro Oi Casagrande no Leblon naquela noite, eu me senti realizado por reviver lindos momento da minha vida ao ouvir aquelas músicas tão bem contextualizadas e me senti realizado por apresentar aos jovens que foram contemplados naquele passeio, uma artista incrível que ficará para sempre eternizada no hall das divas da música brasileira.

    Obrigado Rita Lee!

  • O lugar que nos ocupa

    O lugar que nos ocupa

    Em “A cidade onde envelheço” (2017), filme de Marília Rocha, a jovem portuguesa Francisca, já residente no Brasil, recebe sua amiga Teresa, recém-chegada de Lisboa. Entretanto, mesmo vivendo há tempos no país, Francisca sente uma falta irreparável de sua terra natal. Há uma certa melancolia, retratada pela saudade de casa e o reconhecimento íntimo de que tal desconforto nada mais é do que a dificuldade de aceitar o novo país como seu. Além disso, esse desconforto evidencia não apenas um mal-estar provocado pelo distanciamento de seu lugar de origem, mas o seu lugar de origem que permanece pulsante dentro de si. Quando pensamos na ideia de lugar, é comum que a primeira referência que nos chegue, esteja relacionada aos lugares, nos quais ocupamos em diversas esferas no decorrer da vida. Entretanto, raramente nos damos conta de perceber o lugar que nos ocupa. Este lugar a costurar caminhos, pelos quais trilhamos nosso próprio trajeto. O lugar da memória, das lembranças, das páginas a compor nossa história. O lugar que nos constitui. Japeri, sempre foi referenciada como uma “cidade dormitório”; um lugar ali, escondido num cantinho da periferia fluminense, na última estação a desembarcar. Todavia, esse lugar, cujo nome teria se originado de “Yaperi”, termo tupi que significa “aquilo que flutua”, enuncia uma cidade que voa alto. Uma cidade que acorda cedo, partindo da primeira estação em busca do pão de cada dia. Mas não só. Essa cidade que se mantém acordada, contém em si, uma efervescência, uma enorme capacidade pulsional, onde a vida acontece. E essa efervescência, transborda em produção de linguagem, seja nas artes plásticas, na literatura, na dança, no teatro, na música e nas suas mais variadas expressões, a nos mostrar a cultura e a arte que nasce em Japeri. E é essa vida a pulsar pelas veias culturais da nossa cidade, que a mantém viva em nós, que nos traz esse sentimento de reconhecimento íntimo, como nos mostra a personagem Francisca. Se Guimarães Rosa dizia que “o sertão está dentro de nós”, ouso dizer, que Japeri está dentro de nós. Assim, posso dizer, que a cidade onde nasci, é a cidade onde envelheço.
  • O eles

    O eles

    Existe uma voz dentro da sua cabeça que não é você, mas que comenta e julga tudo o que você faz. Para ser alguém na vida você precisa estudar, fazer faculdade, ter uma casa, um carro, constituir família etc. Aí vem agrande pergunta, quem é esse alguém? Não sou eu, não é você, mastodo mundo quer ser como “Ele”. O filosofo Heidegger chamou essa voz de Das Man que significa exatamente “O Eles”, essa voz, apesar de estar dentro de nós e influenciar toda a nossa vida, é a voz do senso comum é uma voz que reflete o interesse do coletivo. Dessa forma conceitos e ideias muito importantes como sucesso e felicidade dificilmente são ideias autenticas e genuínas, formadas pela própria pessoa, esses conceitos são construídos socialmente e acabam por se manifestar/impor no indivíduo. Do mesmo jeito que o Das Man determina o que é sucesso ele determina também o que é fracasso. Heidegger diz que: “Para sua voz interna ser hostil, basta existir em uma cultura conturbada”. E eis exatamente onde vivemos. Nos tempos da internet e das redes sociais você consegue ter acesso a inúmeras realidades em tempo recorde, realidades de pessoas que, apesar de também estarem influenciadas pelo Das Man, normalmente possuem uma vida mais confortável ou se esforçam para passar essa imagem. Com essa superexposição de realidades perfeitas é muito comum que a pessoa comece a tirar conclusões precipitadas sobre a própria vida, porque afinal: “todo mundo tem carro, casa, trabalha pouco e tem muito dinheiro já bem jovem e eu continuo sendo um fracasso”. Nesse momento é bem capaz que você comece uma corrida, uma corrida para ter tudo aquilo que “Eles” dizem que você tem que ter. E você começa a correr, correr numa corrida ilusória onde sempre haverá alguém à sua frente e por mais que você corra você nunca vai estar satisfeito. Porque a vida não é uma corrida. Se você está sempre procurando alguma coisa, sempre se sentido incompleto ou inadequado é bom parar para refletir se essas cobranças não são um reflexo do mundo a sua volta. Dedicar um tempo a si mesmo, refletir sobre a sua vida, para ter certeza de que você está vivendo a sua vida e não o que “Eles” esperam de você. O filosofo Friedrich Nietzsche dizia: “Aquele que não se conhece serácomandado.”
  • Coluna Japeri tem História – Estação de Japeri

    Coluna Japeri tem História – Estação de Japeri

    Na coluna deta semana, Marcelo Damasceno fala um pouco da história da Estação de Japeri.

    Está curioso? Aperta o play!]

  • Coluna Japeri tem História – Câmara de Japeri

    Coluna Japeri tem História – Câmara de Japeri

    Na coluna deta semana, Marcelo Damasceno fala um pouco da história da Câmara de Japeri.

    Está curioso? Aperta o play!

  • Del Valle goleia Fla na  Libertadores

    Del Valle goleia Fla na Libertadores

    O futebol é o esporte mais incrível do mundo e hoje foi mais uma prova disso.

    Na altitude, qualquer resultado poderia acontecer, mas o resultado na noite de intem entre Independiente Del Valle e Flamengo, nem mesmo o mais pessimista imaginava.

    Em uma noite irreconhecível, o Flamengo foi goleado por 5 a 0 no seu retorno na Libertadores.

    Com o resultado, o time rubro-negro precisa ficar de olho na próxima partida do dia 22 contra o Barcelona do Equador.

    Já no dia 30, o Fla pega o mesmo Independiente Del Valle no Maracanã e vencer é a única opção para o time da Gávea não passar sufoco para se classificar.

  • E que tenhamos finais felizes em 2018

    Saudações Rubro- Negras !!!!

    E a temporada começou com o Fla dando alegrias aos seus torcedores.

    Com uma campanha exuberante, a equipe sub- 20 sagrou se campeã da Copa São Paulo de Juniores, mais conhecida como Copinha.

    Alguns dos jovens talentos forma utilizados nos primeiros jogos do Mengão no campeonato carioca, e poderão ser utilizados durante a temporada.

    Poucas contratações e a base de 2017 praticamente toda mantida. A barca passou e levou nomes questionados pela torcida, como Márcio Araújo, Rafael Vaz, Gabriel, e o retorno de jogadores que estavam emprestados e que provavelmente serão encaixados em outros times.

    Tivemos a surpresa da saída do técnico Rueda, que foi aceitou um convite para dirigir uma seleção Sul Americana. Com isso, Carpegiane retorna ao comando do time para quem sabe, levar a equipe aos títulos que faltaram em 2017.

    Já temos uma decisão diante da equipe do Boa Vista e a chance de começarmos levantando a primeira de muitas taças esse ano (otimismo aflorado).

    Que seja um ano de conquistas mais expressivas e afirmação de um time que conta com jogadores experientes e com capacidade para levar o Flamengo ao topo de todas as competições.

    VAI PRA CIMA DELES MENGOOOO!!!

  • Site Japeri Online realiza seu primeiro evento na Baixada Fluminense

    Aconteceu ontem, dia 15/10, o primeiro evento com a realização e organização do Site Japeri Online no Espaço Cultural Sylvio Monteiro em Nova Iguaçu com parceria com a Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu e a Inverso Produções Artísticas.

    A principal intenção do evento foi agregar artísticas locais com de outros lugares do RJ e transmitir assim, a cultura na Baixada Fluminense seguindo a linha do site de fazer sempre projetos que envolva a arte e a cultura em suas diversas formas.

    Assim, tivemos a abertura do evento com a banda 5.3 A Última Estação, a qual é uma banda de Japeri que está começando seus trabalhos recentemente e traz à mensagem que Japeri é considerada a última estação, mas tem arte e tem conteúdo.

    Como principal atração tivemos a peça Primeiro Sinal. A peça conta as histórias de vida de Rael e Nina, um casal de melhores amigos que compartilham várias histórias juntas e as encenam no palco de um teatro abandonado. A Peça é estrelada por Lua Blanco e Igor Cosso e tem a direção de Icaro Silva

    Saibam tudo que aconteceu neste dia clicando aqui

    Fotos do Evento: Carla Veiga
    
    Filmagem: Patrick Lima
    
    Reportagem e Produção: Nil Mendonça
    
    Realização: Site Japeri Online