Moradores do bairro Citrópolis denunciaram ao programa Fala Baixada a falta d’água.
Confira o programa na íntegra.

Moradores do bairro Citrópolis denunciaram ao programa Fala Baixada a falta d’água.
Confira o programa na íntegra.

A falta d’água em Japeri não é uma novidade e também não é um drama apenas no Verão. Apesar disso, é nesta época do ano que o problema fica mais percetível quando o consumo aumenta e as torneiras secam.
A página Japeri Notícias publicou uma resposta da Cedae sobre o caso.
Enquanto Japeri não tem nem um ml água, bairros que tem estão recebendo em suas torneiras água contaminada.
O que resta é registrar a individualmente reclamações via site e também reclamar no canal de comunicação da Alerj para que o problema seja detectado por quem tem o pode de resolver.
Confira as matérias publicadas pela Cedae sobre a água na Baixada
A Cedae informou em contato telefônico que houve mais um problema na adutora de Ribeirão das Lages em Seropédica e que o conserto foi feito no dia 19 e o prazo da normalização é de até 72h.
Segundo a empresa, bairros da Baixada, Zona Norte e Centro também estão sem água no momento.
Promessas
A precariedade no abastecimento de água não é novidade para os moradores de Japeri, porém em tempos de forte calor como os de hoje, se tornam insuportáveis.
A prefeitura de Japeri divulgou uma matéria informando que a Cedae prometeu para 2019 o fim dos problemas de abastecimento na região com a construção de um reservatório na cidade.
No dia 13de dezembro, aconteceu o rompimento da adutora da CEDAE no KM 32 em Seropédica e por esse motivo o abastecimento de água de Japeri e outros bairros da região metropolitana foram prejudicados.
Em contato com a CEDAE, na manhã deste sábado, dia 16, o SAC informou que no dia 14 houve o reparo da avaria na adutora e que em até 72 horas o abastecimento de água deverá ser normalizado.
Neste caso, o prazo para alguns bairros é até este domingo.
A falta d’água não é novidade em Japeri, mas desde quinta, dia 6, bairros como Santa Terezinha, Maria José, Guandu e Macaíba estão sem água.
Moradores entraram em contato com o Site Japeri Online pelo Facebook e relataram que ainda falta água em Santa Terezinha e região.
No bairro Maria José, o abastecimento de água foi normalizado na manhã de domingo, dia 9.
A reportagem entrou em contato com a Cedae, mas até o fechamento da reportagem não houve resposta.


A família Bernardo Serra se faz a mesma pergunta há quatro gerações: “Por que moramos ao lado do Rio Guandu e nunca tivemos água?”. Dona Maria Lourenço, de 47 anos, se recorda de quando era pequena e ajudava os pais a carregar o precioso líquido. No bairro Jardim Transmontano, em Engenheiro Pedreira, Japeri, na Baixada Fluminense, hoje quem coleta água é seu neto, o pequeno Marco Antônio, de 6 anos. No clã, o incômodo e cansativo serviço já se aprende na infância, há mais de cinco décadas.
— Consigo trazer duas garrafas cheias, no ombro e no braço — diz a criança, interrompida pela prima Gabriele Batista, de 29 anos:
— Este garoto é guerreiro. Sempre ajudou a gente. Mesmo no sol quente.
O elogio se estende a Maria, matriarca da família:
— Esta mulher, então, nem se fala. Foi muita lata d’água na cabeça que ela carregou.
Na Rua Sotelo, onde dona Maria vive com seis irmãs, 16 sobrinhos, 11 filhos e dez netos, espalhados em cinco casas, não há água encanada nem hidrômetros. O asfalto chegou há cerca de dois anos para algumas ruas do bairro. Mas ainda não para a rua dos Bernardo Serra.
Enquanto o abastecimento não chega, e as promessas de universalizar o acesso à água não se concretizam na Baixada Fluminense, a família enfrenta mais de 50 anos sob severo racionamento. Volta e meia, recorrem a uma mina próxima, em busca de água.
— São muitos anos de sofrimento, principalmente para as crianças — desabafa Maria Lourenço, que diz ter perdido a conta de quantas vezes enfrentou períodos longos de seca total.
Quando ela era criança, o pai carregava água “na balança”, termo comum para os moradores da região e que Maria utiliza com naturalidade. Falecido em 2008, aos 60 anos, o pintor de paredes Armando Bernardo colocava uma vara de madeira nos ombros com dois ganchos na ponta. Era onde vinham pendurados dois galões de água.
— São muitos anos carregando água. E água carregada não rende. Lembro que a minhã mãe (a faxineira Maria José Lima da Silva, morta aos 55 anos, em 2003) vinha com as latas na cabeça. Eu ajudava também, como, agora, faz o Marco Antônio — recorda Maria Lourenço.
Nos últimos anos, a água para beber tem brotado da solidariedade de ex-vizinhos, que, antes, viviam na Rua Sotelo e não suportaram conviver com a crônica falta d’água.
— Eles foram morar próximo à linha do trem (a 20 minutos de caminhada da Rua Sotelo). E lá eles têm abastecimento. Como já viveram aqui e sabem do nosso sofrimento, nos ajudam sempre — diz o estudante Igor Bernardo Serra, de 17 anos, filho de Maria e um dos parentes acostumados a carregar água desde… sempre.
O antigo problema da falta d’água em Jardim Transmontano produz cenas difíceis de se conceber em pleno século 21: mulheres lavando roupas à beira de uma mina, em tanques improvisados.
— Os tanques foram destruídos há pouco tempo. Hoje, as pessoas usam bacias mesmo — diz Maria, que até hoje não entende por que a água não chega:
— O Guandu é atrás de nós.
Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/racionamento-ha-4-geracoes-em-japeri-familia-convive-ha-50-anos-com-falta-dagua-15141614.html