Neste domingo (17), aconteceu o Festival Nordestino no Top Shopping com muita música, artesanato e comidas típicas.
O evento aconteceu na Praça de eventos da extensão e recebeu um ótimo público que curtiu bastante o forrozinho ao vivo.
Além da música, aconteceu também uma exposição que mostrou personalidades nordestinas que vivem ou viveram na Baixada e uma delas foi o nosso paraibano mais japeriense de todos, o saudoso Mestre Azulão., falecido em 2016.
O TopShopping tem promovido diversos eventos culturais em seus espaços e para ficar ligado basta acompanhar o site www.topshopping.com.br ou o seu Instagram @topshopping_ .
O gênero literário, que também é ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros, aLiteratura de Cordel, foi reconhecido pelo Conselho Consultivo como Patrimônio Cultural Brasileiro.
A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 19/9. A reunião também contou com a presença do Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa e do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira.
Poetas, declamadores, editores, ilustradores (desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores) e folheteiros (como são conhecidos os vendedores de livros) já podem comemorar, pois agora a Literatura de Cordel é Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.
Apesar de ter começado no Norte e no Nordeste do país, o cordel hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por causa do processo de migração de populações. Hoje, circula com maior intensidade na Paraíba, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível encontrar esta expressão cultural, que revela o imaginário coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados.
Fonte: Iphan
Nossa Referência
Em Japeri o grande nome do Cordel foi e sempre será o eterno Mestre Azulão, que faleceu em 2016.
A reportagem do Japeri Online e alguns alunos do Colégio Bonfim estiveram em sua casa para um bate-papo super descontraído. Reveja!
Com objetivo de resgatar a literatura de cordel e incentivar os estudantes a pesquisarem sobre a história do Mestre Azulão, as secretarias de Cultura e Educação de Japeri prepararam o projeto “Cordel resgatando um gênero literário”, que foi implantado em todas as escolas municipais. As atividades desenvolvidas através do projeto foram apresentadas nesta terça – feira (29/08), na Escola Municipal Bernardino de Melo.
A programação contou com apresentação de música, teatro, exposição de trabalhos, fotos, desenhos e caricaturas. Alunos do grupo de teatro “Todos Nós” prepararam um esquete para lembrar o folheto de Mestre Azulão que tem como título “O trem da madrugada”. Os jovens atores abordaram a rotina dos passageiros entre as estações Japeri e Central do Brasil.
A participação da viúva do Mestre Azulão, Maria das Martins dos Santos, mais conhecida como Dona Nevinha, foi um dos momentos mais marcantes. Ela se emocionou ao ser ovacionada pelos estudantes, após recitar poesias e cantar algumas músicas que o marido gostava. “Fico feliz em ver que meu marido não está esquecido. Nunca foi feita uma ação como esta. O prefeito Carlos Moraes, que é um grande amigo da nossa família, é um homem extremamente inteligente e está incentivando projetos para resgatar a cultura do nosso povo”, destacou Nevinha.
O repentista nordestino José João dos Santos adotou Japeri como sua terra. Ao chegar em terras japerienses se apaixonou e começou a escrever sobre Japeri e seu estilo de vida.
Em setembro de 2014, a reportagem do JOL esteve em sua casa no centro de Eng. Pedreira para conhecer o trabalho do famoso Mestre Azulão e gravar uma imagens.
Na visita, que foi acompanhada por alunos do Colégio Bonfim, Azulão deu uma aula de simpatia e alegria. Orgulhoso, fez questão de mostrar recortes de jornais, fotos e seus cordéis mais famosos. Ao lado de sua esposa, Mestre Azulão recitou e improvisou seus repentes, mesmo com seus 80 e poucos anos, sua voz e memória não falharam.
No bate-papo, o artista contou sobre a sua maior aventura: sua viagem a Nova Iorque, nos Estados Unidos. Mestre Azulão foi convidado a representar o Brasil e Japeri num evento importante numa universidade americana.
Azulão mostrou em seus versos o amor por Japeri que graças ao maravilhoso poder da arte de perpetuar suas melhores obras, Mestre Azulão será lembrado por várias gerações.
A seguir eis um dos últimos registros de Mestre Azulão em sua casa no ano de 2014.
O site Japeri Online lamenta sua morte, mas celebra a obra deixada por ele.
Cantador, repentista, cordelista, violeiro, poeta. Mestre Azulão, 74 anos, conta a história de sua vida com a mesma entonação com que recita seus versos. Nascido José João dos Santos, em Sapé da Paraíba – “terra de Augusto dos Anjos”, diz orgulhosamente – herdou o apelido Azulão de outro cantador, cujas toadas ele aprendeu aos sete anos. “Os cantadores se distinguem por nomes de pássaros”, explica. Sua vida é igual à de milhares de nordestinos que deixam a terra natal em busca de trabalho no Sul e se confunde com a história da Feira dos Nordestinos. Aos 17 anos, embarcou na carroceria de um caminhão “pau-de-arara” para tentar a vida no Rio.Como tantos, trabalhou em construção civil e foi parar nesse pedaço do Nordeste encravado no bairro de São Cristóvão.
Mestre Azulão é a memória viva da Feira dos “paus-de-arara”, como gosta de dizer. Foi um de seus fundadores e participou dos bons e maus momentos, quando a repressão apertava. “Na década de 60, tentaram derrubar a Feira três vezes”, conta. Numa delas, foi preso, já que era um dos diretores. A poesia o salvou: um registro do antigo Ministério da Educação e Cultura, certificando que era poeta popular, o livrou de dormir na cadeia. “Nesse dia, fui o único a trabalhar no Campo de São Cristóvão, onde vendia meus folhetos de cordel”. Toda a história da Feira dos Nordestinos está contada no cordel que ele fez para a inauguração do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.
Na roça, ainda no Nordeste, estudou até o terceiro ano do antigo primário. O gosto pela leitura apurou a língua: “o cantador procura se lapidar no português claro”. Fala com paixão do poeta preferido, Augusto dos Anjos, que – afirma – escrevia com uma “métrica tão perfeita” .
Sua produção de cordel já chega a mais de 300 livros. Estreou no programa de Almirante, na Rádio Tupi, onde também se apresentou o Cego Aderaldo. Cantou seus versos na Europa e nos Estados Unidos. “Saí até no New York Times”, conta. Mas, apesar do sucesso, Mestre Azulão confessa que não “enricou, porque a cultura brasileira é espezinhada”.
Voltou à Paraíba só para visitar os parentes. Hoje mora em Japeri. Tem três filhos, um de cada casamento. Quando resolveu deixar o Nordeste, escolheu o Rio para morar porque “naquele tempo só se falava em Rio de Janeiro, já que muitos não queriam São Paulo por causa do frio”. A rivalidade entre as duas cidades foi cantada em versos bem-humorados:
“A mulher guanabarina / em tudo tem perfeição / a boca é um cravo abrindo / cintura é um violão / São Paulo é um deus-nos-acuda / só dá mulher barriguda / danada por macarrão.”
Seguindo a tradição da literatura de cordel, usa os fatos corriqueiros e as modas como tema dos livretos. Assim surgiram A saia que suspendeu, quando surgiu a moda da minissaia, e Terror nas Torres Gêmeas, que conta o ataque terrorista ao prédio de Nova York.
Outros textos:
José João dos Santos (MESTRE AZULÃO) é paraibano, radicado no Rio de Janeiro há várias décadas, é um dos principais fundadores da Feira de São Cristóvão. Sua banquinha de Literatura de Cordel, no pavillhão da feira, é ponto de venda dos folhetos da Tupynanquim Editora.
Azulão, além de ser o autor de mais de 300 títulos de cordel, ministra palestras, é repentista e cantador de romances.
Cantador, repentista, cordelista, violeiro, poeta. Mestre Azulão é a memória viva da Feira dos “paus-de-arara”, como gosta de dizer. Foi um de seus fundadores e participou dos bons e maus momentos, quando a repressão apertava.Sua produção de cordel já chega a mais de 300 livros. Estreou no programa de Almirante, na Rádio Tupi, onde também se apresentou o Cego Aderaldo. Cantou seus versos na Europa e nos Estados Unidos. “Saí até no New York Times”, conta. Mas, apesar do sucesso, Mestre Azulão confessa que não “enricou, porque a cultura brasileira é espezinhada”. Hoje mora em Japeri, onde já trabalha como diretor de Cultura do Município.