Tag: Saúde

  • Vida saudável em meio a correria do dia a dia

    Com o fim do Carnaval, o ano começa pra valer. Para chegarmos com todo o pique no fim do ano, é necessário tomar alguns cuidados com a saúde.

    Para isso, reproduzimos aqui as dicas publicadas pelo Jornal Extra e valem como um bilhete de loteria premiado para quem quer mais qualidade de vida em 2020.

    • Tenha uma boa alimentação
    • Manter a dieta balanceada, rica em legumes, verduras e frutas é essencial para manter o coração saudável.
    • Evite ingerir frituras, alimentos processadosemuito sal
    • Faça exercícios
    • O sedentarismo contribui paraoacúmulo de gordura na parede das artérias, aumentando as chances de enfartes.
    • Faça pelo menos meia hora de exercício cinco vezes por semana
    • Evite o estresse
    • Situações estressantes aumentam o grau de inflamação do corpo, o que favorece problemas cardíacos
    • Tire férias
    • Descansar pelo menos 30 dias no ano é fundamental para a saúde do coração.
    • Não tirar férias prejudica o descanso do corpoeaumentar os níveis de estresse
    • Controle pressão e glicose
    • Estes dois fatores, quando descontrolados, aumentam o risco de problemas cardíacos
    • Fuja da poluição
    • Estudos recentes mostram que a poluição também aumenta o risco de problemas cardíacos. Portanto, evite se expor a ambientes muito poluídos. Uma das dicas é andar com os vidros do carro fechados ou evitar praticar esportes perto de vias com grande fluxo de veículos
    • Não fume
    • As substâncias do tabaco provocam vários problemas no organismo, como enfraquecer o gene que protege os vasos sanguíneo
  • Prefeito promete Casa de Parto em Japeri

    Imagem ilustrativa
    Imagem ilustrativa

    Após a repercussão do parto feito no posto de saúde da cidade, o prefeito Cezar Melo anunciou no site da Prefeitura, nesta quinta, dia 25, que até o fim do governo uma Casa de Parto será criada anexo ao prédio da Policlinica que está em reformas.

    Ainda segundo a prefeitura, Cezar Melo esteve em Brasília e recebeu a promessa da construção de dois postos de Saúde nos bairros Primavera e Nova Belém.

  • Açúcar ou gordura: o que é pior para saúde?

    Se você respondeu que gordura é pior para a saúde estava certo até há alguns meses atrás. Se você respondeu que o açúcar é o pior para a saúde, acertou, de acordo com as últimas evidências científicas.

    Como pode? “ Verdades” são “verdades” até que alguém prove que não são verdadeiras. Como habitualmente se diz, medicina pode ser uma ciência de “verdades transitórias”.

    Até o meio deste ano, a orientação universal de todos os médicos era para que se restringisse cotidianamente o consumo de gorduras saturadas, com grandes quantidades de LDL ou o colesterol do “mal”, que poderia causar obstrução na parede das artérias, elevando consideravelmente o risco de infartos e outras doenças com morbidade expressiva nos dias atuais.

    Pois é. Assim eram as orientações. No entanto, no final de agosto foi publicado em uma das mais importantes e conceituadas revistas médicas do mundo, o “The Lancet” um estudo robusto, realizado por um período de 7 anos com aproximadamente 135.000 pessoas, em 18 países, distribuídos por cinco continentes do mundo, cuja conclusão muda frontalmente as orientações médicas. Este estudo demonstrou que o consumo maior de carboidratos, ou açúcares, – e NÃO o maior consumo de gorduras-  é que se associou a maiores taxas de mortalidade geral.

    Isso significa que uma dieta mais rica em gorduras pode ser mais “saudável” que uma dieta mais rica em açúcares. As maiores taxas de mortalidade geral foram associadas às pessoas que obtinham mais de 60% de seu aporte de energia diário às custas da ingestão de carboidratos.

    Devemos então substituir um prato de macarrão com molho de tomate, que fica ainda mais delicioso com um pãozinho crocante, por uma picanha suculenta, ladeada por uma camada de gordura e mandioca frita?

    Fica a pergunta para outros estudos tentarem nos responder. Por enquanto, o mais sensato a fazer ainda está em uma palavra mágica e poderosa: equilíbrio.

    Agora é o consumo de carboidratos – e não a ingestão de goduras – que está associado a maiores taxas de mortalidade geral.

    Fonte: http://g1.globo.com/

     

  • Bronquite, asma ou bronquiolite: qual a diferença?

    Na asma, bronquite ou bronquiolite o ato de respirar pode ser exaustivo. Pode cansar. Independentemente da idade, o esforço para fazer o ar entrar e sair dos pulmões pode ser extremamente difícil e desconfortável. Os músculos acessórios dos movimentos respiratórios entram em ação para ajudar a expandir os pulmões. As pessoas parecem respirar com a barriga de tanta força que fazem.

    Tanto a asma, como a bronquite ou a bronquiolite podem dar este quadro de dificuldade respiratória? Qual a diferença entre estas três condições? Como saber?

    As três situações podem dar desconforto respiratório de diferentes intensidades. No entanto, na asma e na bronquiolite a dificuldade para respirar pode ser mais significativa.

    As três situações cursam com obstrução das vias respiratórias. Porém, as causas e os mecanismos de obstrução são diferentes. Por isso é importante que se tenha o diagnóstico correto para que o tratamento – também diferente nas três condições-  possa ser adequadamente indicado. Vamos entender.

    Bronquiolite: é uma doença infecciosa, de causa viral, na maior parte das vezes causada pelo VRS, ou Vírus Sincicial Respiratório. Acomete bebês e crianças pequenas, geralmente menores de 2 anos de idade. Este vírus incide principalmente nos meses de outono e inverno. Na semana passada, em São Paulo, alguns Pronto Socorros infantis tiveram que fechar suas portas e em muitos hospitais não havia vagas em UTI tal quantidade de crianças pequenas acometidas. O vírus “ataca” a região do bronquíolo, provocando uma inflamação que estreita as vias respiratórias, dificultando a passagem do ar. Resultado: os bebês ficam cansados para respirar. Não há tratamento específico para este vírus. Por isso, muitas crianças ficam internadas para garantir a boa oxigenação do organismo . Dura de 7 a 10 dias e geralmente evolui bem.

    Sinal mais característico da bronquiolite: bebês ou crianças pequenas com respiração ofegante ou cansados para respirar, com ou sem febre. Nesta situação, procure rapidamente  atendimento médico.

    Bronquite: a bronquite é uma inflamação dos brônquios. Esta inflamação pode ser aguda ou crônica. A aguda é  geralmente causada por agentes infecciosos como vírus ou bactérias. Por isso pode ser acompanhada de febre e mal estar. A inflamação infecciosa nos brônquios estreita a passagem do ar, causando o desconforto para respirar. Pode acometer pessoas de quaisquer idades. Já a bronquite crônica pode ser causada por agentes irritantes dos brônquios como, por exemplo, o cigarro. A mucosa constantemente agredida e inflamada também estreita o calibre das vias respiratórias, dificultando a passagem do ar. O sintoma mais exuberante, seja da bronquite aguda ou da crônica,  é a tosse com catarro. As pessoas acometidas tossem para expelir as secreções que purgam nas vias respiratórias inflamadas. O tratamento da bronquite depende da sua causa e inclui também a limpeza das vias aéreas e a manutenção da oxigenação do organismo. Quando se suspeita de bronquite de causa bacteriana, os antibióticos podem ser indicados.

    Sinal mais característico da bronquite: tosse intensa,  constante, com expectoração.

    Asma: é uma doença inflamatória que se caracteriza por um espasmo da musculatura dos brônquios, ou seja, broncoespasmo. Os brônquios se “fecham”. Resultado: há um estreitamento – que pode ser intenso- das vias respiratórias causando muita falta de ar e desconforto para respirar. Este broncoespasmo inflamatório tem causas genéticas e pode ser desencadeado por alguns alérgenos ambientais, como cheiros específicos, pó ou pólen, por exemplo. Cada pessoa pode ter um desencadeante diferente. Evolui com períodos assintomáticos e períodos de crises. Hoje há muitas medicações para evitar que as pessoas suscetíveis entrem em crises agudas de risco.

    Sinal característico da asma: chiado no peito e dificuldade para expirar, isto é, para expelir o ar.

  • Fracionar a vacina da febre amarela: enganação ou proteção garantida?

    Na última semana, o governo anunciou a possibilidade de fracionar a vacina da febre amarela para que uma dose possa “render” cinco aplicações. Isso significa que cada ampola, que contém 10 doses para vacinar 10 pessoas,  será diluída para fornecer 50 aplicações e vacinar, portanto, 50 pessoas.

    A grande pergunta é: as pessoas devem ficar felizes e seguras, uma vez que conseguirão a tão procurada vacina, ou devem ficar apreensivas e inseguras com a possibilidade de terem sido ludibriadas e não estarem efetivamente protegidas contra esta doença que pode matar?

    Pois é. Esta estratégia de “diluir” a vacina foi utilizada em Angola em uma situação muito diferente da nossa: o país passava por uma epidemia de febre amarela urbana (a nossa é silvestre) e não havia vacinas disponíveis para todos. Tratava-se, portanto, de uma situação de extrema necessidade de contenção da epidemia.

    O surto atual de febre amarela no Brasil é silvestre. Isso significa que é transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. As pessoas contaminadas necessariamente estiveram nestas regiões endêmicas.

    No Brasil, não há relatos de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegytpi, desde 1942.

    A diluição da vacina garante proteção, segundo os estudos. Mas por um período muito menor. Exatamente 10 vezes menor. Isto quer dizer que as pessoas supostamente ficarão protegidas por apenas 1 ano, e não por 10 anos como acontece com a dose não fracionada.

    Vale a questão: e depois de 1 ano? Será que o surto já terá acabado? Ou será necessário  vacinar todo mundo de novo? Qual seria o efeito de múltiplas doses diluídas na população? Não se sabe! Sabe-se, isto sim,  que muito provavelmente as regiões endêmicas continuarão endêmicas em 2018. Vale dar uma proteção em muita gente por um ano apenas?

    Sabemos que os estoques  de vacinas do mundo, aí incluídas  as vacinas  da  nossa própria  produção em Bio-Manguinhos, Fiocruz, não é suficiente para suprir as demandas nacionais. As filas enormes nos postos de saúde e relatos de pessoas que não conseguiram ser vacinadas já fazem parte das nossas notícias cotidianas.

    O ministro da saúde afirmou que a diluição da vacina “significa um conforto à população. Estamos atendendo a uma ansiedade”.

    Claro que estamos ansiosos! Com toda razão de estarmos. A saúde pública no Brasil é um caos explícito. Não é confiável. Hospitais lotados, sem a menor condição de oferecer o atendimento decente que a população merece. Unidades Básicas de Saúde sem credibilidade e sem garantir à população  segurança e a resolutividade que se espera da Atenção Primária à Saúde.

    Claro que estamos ansiosos! Mais ainda com esta notícia da possibilidade de diluir a vacina da febre amarela.

    Esta é uma solução provisória, questionável sob o ponto de vista científico e que, ao contrário do que espera o Ministro, pode trazer mais desconfiança, insegurança  e incredibilidade para a população.

    Nesta difícil situação de escassez de vacinas, talvez  mais importante do que vacinar indiscriminadamente todo mundo – aí incluídos os que estão em regiões urbanas de áreas não endêmicas, que não necessitariam da vacina-  seja bloquear o surto, vacinando as pessoas que EFETIVAMENTE a necessitam  por estar em regiões de risco real.

    Este país é grande – não só territorialmente-  e é essencial entender que há por aqui grandes e excelentes especialistas no assunto, internacionalmente renomados, que podem contribuir – em muito –  com soluções cientificamente mais plausíveis, confiáveis e seguras para todos nós.

    Se o governo realmente quiser nos deixar menos ansiosos, converse com quem entende do assunto. Faça-se um grupo de trabalho que defina prioridades e metas a curto, médio e longo prazo e que explique com clareza e seriedade para a população todos os seus passos. A confiança no que se sabe correto é que diminuirá  a ansiedade de todos.

    Com a palavra, nossos especialistas.

  • Câncer: resultado de um jogo aleatório de sorte ou azar?

    Câncer é um dos diagnósticos mais temidos por todos no mundo de hoje. Significa ter que passar por um longo e difícil período em tratamento, que muitas vezes envolve extensas cirurgias, inúmeros tipos de medicamentos, além da radio ou da quimioterapia, que exigem muito do organismo de todos, por seus  inúmeros efeitos colaterais. Tudo isso para obter um resultado que nem sempre significa cura. Exige também, talvez mais que tudo, que se tenha nervos de aço e uma mente firme e forte o suficiente para passar por tudo isso da melhor forma possível. Não é fácil para ninguém.

     

    Por isso, a prevenção de uma doença como o câncer faz parte do controle de saúde das pessoas. Exames que são capazes de detectá-lo o mais precocemente possível fazem parte de protocolos mundiais dos check ups rotineiramente indicados para todos.

     

    Qual a causa do câncer? Quais fatores estão implicados na desorganização da multiplicação celular?

     

    Neste exato momento, no mundo, há muitos e muitos pesquisadores, em todos os cantos do planeta, à busca destas respostas.

     

    Sabe-se que fatores ambientais estão diretamente relacionados a alguns tipos de câncer. Tabagismo e câncer de pulmão, por exemplo. Não há dúvidas de que há uma clara relação de causa e efeito para a maioria das pessoas. Há exceções? Há quem fume e não tenha câncer de pulmão? Sim! Há quem não fume e também tenha câncer de pulmão? Sim! Por isso o câncer é uma doença que se diz multifatorial em suas causas. Depende da interação de várias condições.

     

    Sabe-se também que os fatores hereditários são importantes na determinação de alguns tipos de câncer. A atriz Angelina Jolie fez mastectomia (retirou os seios) voluntariamente considerando seu risco hereditário de câncer de mama.

     

    Há um fato novo. Na última semana, pesquisadores da conceituada Universidade John Hopkins dos Estados Unidos analisaram sequencias de DNA de 17 tipos de câncer em 69 países e concluíram que aproximadamente dois terços de todos os tipos de câncer são resultados de mutações aleatórias durante o processo de divisão celular.

     

    O que isto quer dizer?

     

    O seguinte: quando uma célula se multiplica, o seu DNA tem que se multiplicar, gerando 2 células idênticas. Pois bem: os pesquisadores descobriram que durante este processo de multiplicação pode acontecer uma mutação, ou seja,  um “erro” na formação do  DNA/”filho”, gerando células “defeituosas”. Na maior parte das vezes isso pode não ter significado algum. Mas em algumas situações, se esta mutação aconteceu em algum gene que regula a proliferação celular, este “erro” pode significar células com câncer.

     

    Isso quer dizer que o câncer pode também ser consequência do “acaso”. Pessoas saudáveis, sem predisposição hereditária e que vivem em um ambiente “amigo”, alimentando-se saudavelmente e praticando exercícios físicos podem também aparecer com algum tipo de câncer.

    Por conta disso vamos então deixar de ter um estilo de vida saudável?

     

    Claro que não! Com a nossa hereditariedade pouco podemos fazer. Mas o estilo de vida e o ambiente que escolhemos viver depende de nós mesmos. Comer bem, não fumar, praticar exercícios físicos e dormir bem nos dá algo vital e essencialmente importante: qualidade de vida.

     

    Qualidade de vida é primordial. Nos deixa mais fortes. Principalmente para enfrentar melhor as adversidades várias da vida, como o câncer.

     

  • Síndrome de Down no século XXI: houve alguma mudança?

    No dia 21 de março mais de 40 países comemoram o Dia Internacional da Síndrome de Down. Esta data foi criada pela Organização das Nações Unidas em 2006. Qual o propósito de haver um dia especial para as pessoas com Down? Para chamar a atenção sobre uma condição que afeta, aproximadamente, 1 em cada 700 pessoas no mundo todo e que ainda carrega um preconceito muito grande.

     

    O mundo evoluiu e mudou demais nos últimos anos, especialmente neste século que mal começamos.

     

    A Síndrome de Down não deve ser considerada como uma doença crônica. É uma condição que tem uma causa genética bem definida, que é a trissomia do cromossomo 21 (ao invés de 2 cromossomos, há 3). Isso faz com que as pessoas apresentem determinadas características físicas e deficiência intelectual.

     

    Não obstante — e essa é a grande mudança que houve nos últimos tempos — estas pessoas, quando precocemente estimuladas, preferencialmente desde bebês, podem desenvolver potencialidades que garantem sua inclusão em várias atividades produtivas.

     

    A inclusão, por sua vez, abre as portas para uma vida socialmente acolhedora, o que propicia  autonomia e a possibilidade de independência, inclusive econômica. Isso é essencial e muito importante. As pessoas passam a ter uma identidade social.

     

    Crianças com Síndrome de Down devem ir para as escolas, aprender a ler, a escrever e ao longo de seu desenvolvimento adquirir o conhecimento de que necessitam para exercer uma determinada profissão.

     

    Por isso, quanto maior o número de escolas inclusivas, melhor para todos. Isso mesmo: principalmente para as outras crianças, posto que desde pequenas aprendem a brincar e a estar junto, sem quaisquer tipos de preconceitos. Aprendem, essencialmente, a conviver com a fantástica diversidade humana, que nos torna — todos nós — especiais.

     

    No Brasil há instituições como a Apae de São Paulo, que promovem o diagnóstico e a inclusão da pessoa com Deficiência Intelectual, aí incluídos os que tem Síndrome de Down, propiciando o desenvolvimento de habilidades e potencialidades para favorecer a escolaridade e o emprego apoiad?o. Temos hoje muitas pessoas com Down com atividades produtivas em diversas áreas de atuação.

     

    O preconceito é um limite. Fecha portas e impede que se veja e que se entenda a potencialidade de cada pessoa. Vamos apoiar a inclusão das pessoas com Síndrome de Down.

  • Suplementos alimentares para atividade esportiva: sim ou não?

    Quem não quer se olhar no espelho e observar o próprio corpo esculturalmente perfeito, “sarado”, dentro das medidas mais exigentes? Muitas pessoas, não é mesmo?

    Ter um corpo maravilhoso não é fácil. A natureza não premia a todos com a genética que promove a forma física ideal, atlética e modelo de consumo. A maior parte das pessoas tem que “batalhar” arduamente para ter o físico desejado.

    Nesta “batalha” travada diariamente, incluem-se uma alimentação especificamente nutritiva,  com  a restrição incondicional de determinados alimentos – muitos deles extremamente gostosos – e a “malhação” quase que diária nas academias, parques, clubes e onde mais for possível.

    Dá trabalho. Muito trabalho. Há que se ter muita força de vontade e determinação. Para ajudar a formar a tão desejada massa muscular, muitos recorrem aos suplementos alimentares. Aí é que tudo pode se complicar. Vamos entender.

    Em primeiro lugar, é importantíssimo saber diferenciar os suplementos alimentares dos anabolizantes. Um é completamente diferente do outro. Os anabolizantes são proibidos no Brasil. São substâncias derivadas de hormônios, especialmente da testosterona. Podem matar. Por isso seu uso é proibido.

    Os suplementos alimentares são liberados para consumo. Podem ser vendidos livremente. São alimentos com especificidades nutritivas. O grande problema é  que  podem complicar sua saúde, se consumidos de forma errada. Podem causar problemas no fígado e sobrecarga da função renal, por exemplo.

    Os suplementos foram desenvolvidos com o objetivo de fornecer  substratos nutritivos e necessários para promover e facilitar a formação da massa muscular ou para fornecer mais  energia, que é tão necessária para os treinos altamente exigentes. Vamos entender os prós e contras de alguns dos mais consumidos.

     

    Whey protein

     

    Começamos com o Whey Protein, talvez o mais “famoso”. Seu principal produto nutritivo  são proteínas derivadas do leite de vaca, em alta concentração.  O objetivo é fazer o músculo incorporar estas proteínas e crescer mais rapidamente. Tudo certo. Mas o problema é que se não houve “gasto” muscular suficiente, o excesso de proteínas fica circulando pelo corpo e o rim se sobrecarrega para elimina-las. Resultado: a médio prazo o rim pode ficar comprometido de tanta sobrecarga de trabalho e dar sinais de mau funcionamento.

     

    Termogênicos

    Outro tipo de suplementos bastante utilizado pelas pessoas em geral são os chamados “termogênicos”, indicados para consumo antes dos treinos. A ideia é “acelerar” o metabolismo, dar mais disposição e vigor para o treino e queimar mais gorduras. Geralmente contém cafeína, com diversas concentrações,  em suas fórmulas. O problema é que nem todas as pessoas tem indicação cardiovascular para  aumentar as respectivas frequências cardíaca e respiratória  e/ou  a pressão arterial com estes produtos antes ou durante um treino físico. Isso pode gerar problemas importantes como infartos ou acidentes vasculares. Além disso, muitas pessoas referem insônia importante que muito provavelmente  se deve às concentrações mais altas da cafeína.

     

    Carboidratos

    Há  também vários tipos de carboidratos, dentre os quais se destaca a maltodextrina, ou “malto”, como é conhecida. A maltodextrina é  rapidamente  absorvida como glicose e entra na corrente sanguínea.  Indicada principalmente para esportes aeróbicos. A ideia é aumentar rapidamente a quantidade de energia, liberada da glicose,  e disponibiliza-la  para as necessidades do treino. A glicose no sangue evita, também , que o músculo “queime” suas proteínas para produzir energia. Tudo certo. Mas cuidado com o consumo em excesso, pois pode até mesmo provocar crise de hipoglicemia, caso haja liberação excessiva de insulina. Quando usada em excesso pode levar ao aumento do ganho de peso.

     

    Aminoácidos

    Outros suplementos frequentemente consumidos são os aminoácidos e a Creatina é um dos exemplos destes nutrientes. É fornecida com o propósito de aumentar a energia dos músculos e, consequentemente, a massa muscular. Mas não faz mágica. Está indicada para quem treina intensamente. Há que se ter cuidado como consumo em excesso, pois pode sobrecarregar os rins.

    Mais importante que tudo: JAMAIS consuma estes produtos sem orientação do profissional habilitado; um nutricionista ou um médico. Cada corpo é um corpo. Cada um tem suas próprias e únicas necessidades. O que é bom para uma pessoa, pode fazer mal para outra. O que fez bem para seu melhor e mais confiante amigo(a) pode fazer mal para você. Não se iluda. Não existe mágica para um corpo bonito. Há que se ter conhecimento,  determinação e disposição para malhar e comer saudável. Converse com um profissional para orientação.

    Para se ter o corpo ideal e perfeito, portanto, antes de tudo é necessário que também se tenha a cabeça aberta, consciente e com conhecimento seguro, sólido e profissionalmente orientado do que pode fazer bem ou mal para a sua saúde.

  • Sífilis: há motivo para alarme?

    Em pleno século XXI a sífilis, uma doença antiga na história humana, da qual se conhece o agente causador, o método de transmissão, os cuidados preventivos e para a qual há um tratamento simples e relativamente barato, está aumentando sua incidência na população.

    Mais que isso: mulheres jovens, em idade fértil, estão se contaminando mais frequentemente e a sífilis congênita, consequência imediata, está aumentando de forma preocupante.

    Qual a causa para este aumento dos casos de sífilis?

    Uma só: as pessoas com vida sexual ativa estão deixando de se proteger com a camisinha. A AIDS atualmente parece que ficou esmaecida em uma história remota e para os jovens de hoje deixou de ser um problema a se preocupar. Tudo errado. Mas é assim que os jovens pensam. Resultado: hoje muitos não se lembram de colocar  a camisinha quando estão com seus parceiros(as).

    Consequência imediata: as doenças sexualmente transmissíveis, dentre as quai a sífilis (e também a AIDS)  seguem subindo suas estatísticas.

    O grande problema é que as moças grávidas com sífilis podem passar a doença para seus filhos que estão ainda em formação nos seus respectivos úteros. Estes bebês podem nascer comprometidos e apresentar sequelas para o resto da vida. Importante saber isso.

    Muitas jovens acham que só o zika vírus é que deve ser motivo de preocupação para a saúde dos bebês. As moças grávidas fazem tudo para não serem picadas pelo Aedes aegypti. No entanto, homens e mulheres tem se esquecido de evitar outras doenças também incapacitantes para os pequenos bebês, como a sífilis, por exemplo.

    Leia mais em: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/
  • Febre amarela urbana e silvestre: qual a diferença?

    A febre amarela é largamente conhecida por todos nós, brasileiros. Sabemos que é causada por um vírus, inoculado em nosso corpo pela picada de um mosquito. Sabemos que tem uma vacina bastante eficaz e sabemos também que pode ser uma doença mortal. Sabemos bastante.

    Mas só isso não é suficiente saber. Por que? Porque de tempos em tempos a febre amarela volta a nos assombrar com notícias de reincidência e mortes. É o que está acontecendo agora em algumas regiões do Brasil, principalmente na região de Minas Gerais, onde até o final da última semana havia 133 casos suspeitos e 38 óbitos. Precisamos saber um pouco mais. Vamos às principais dúvidas:
    Fala-se em febre amarela urbana e silvestre: é a mesma doença ou são vírus diferentes? Por que diz-se que o surto atual é de febre amarela silvestre?
    O vírus que causa a febre amarela urbana ou a silvestre é exatamente o mesmo. Isso significa que os sinais, sintomas e evolução da doença são exatamente os mesmos. Tudo igual. Qual é a diferença, então? A diferença está “apenas” nos mosquitos transmissores e na forma de contagio. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. A febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida  quando um mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa susceptível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya.

    O Aedes aegypti é transmissor da febre amarela?
    SIM. Por isso é que devemos evitar que o vírus se espalhe, vacinando todas as pessoas das regiões acometidas. Se uma pessoa que frequentou a região de matas for contaminada, vier para região urbana e for picada pelo Aedes, pode reiniciar o ciclo urbano da febre amarela. Por isso é importante conter o surto. Felizmente temos uma vacina bastante eficaz para isso.

    Quem pode tomar a vacina?
    A vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de 9 meses e adultos com menos de 60 anos. Bebês de 9 meses podem tomar a primeira dose e um reforço  aos 4 anos de idade. Para os adultos, 2 doses, com intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar. Não é necessário repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina, desde que indicada pelo médico.

    Gestantes podem ser vacinadas? E os bebês com menos de 9 meses?
    A vacina não é rotineiramente indicada para as gestantes. No entanto, cada futura mamãe merece uma avaliação individual e o médico pode avaliar o risco e o benefício para cada situação. Em bebês com menos de 6 meses a vacina é contraindicada. Para os que têm de 6 a 9 meses, a vacina pode ser dada desde que indicada pelo médico. Em épocas de surtos, em geral recomenda-se vacinar os bebês acima de 6 meses.

    E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?
    Pode sim, desde que esteja no grupo recomendado e desde que não tenha nenhuma contraindicação para esta vacina.

    Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode tomá-la?
    As contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês com menos de 6 meses ou pacientes portadores de doenças que cursam com imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão. Nestas duas últimas situações, pode haver algumas exceções definidas e orientadas pelo médico que assiste cada paciente.

    Por que esta febre se chama “amarela”?
    Porque um dos sinais de gravidade da doença  é a icterícia, que deixa os olhos e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Os sintomas iniciais são como os de uma gripe mais forte, com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, mal estar, enjoo e vômitos. Depois de uns 2, 3 dias as pessoas podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento do fígado e dos rins. Aí aparece a icterícia e sinais de hemorragia como sangramentos de mucosas. Felizmente as formas mais graves são mais raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença fica imune para o resto da vida.

    Existe tratamento específico para a febre amarela?
    Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.

    Os mosquitos podem nos tirar o sono não apenas com o zumbido noturno que fazem nos nossos ouvidos. Faça sua parte e não deixe  locais que possam servir de criadouros perto de você. É como abrir a porta para o inimigo entrar.

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dr Ana responde: Dor de cabeça pode ser sinusite?

    Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns das pessoas, em todos os tempos de todas as eras da história humana. Tão comum que serve até de “desculpa” quando não se tem vontade de executar uma tarefa ou ir a algum lugar. Mais ou menos assim: a dor de cabeça, quando verdadeira, imobiliza a vida. A cabeça que dói impede que qualquer atividade seja realizada com lucidez, bom humor e tranquilidade. Por isso todos a entendem e respeitam.

    A dor de cabeça é um sintoma ou um sinal de que algo não está bem. Há um desequilíbrio orgânico que a justifica e que precisa ser descoberto. Um analgésico pode tirar temporariamente a sensação dolorosa, mas se a causa persistir e não for combatida, a dor certamente voltará.

    Há vários tipos e intensidades de dores de cabeça. Nenhuma é igual à outra. Há as que são contínuas, as pulsáteis, as que incidem na cabeça inteira, as que acometem só um lado, ou só a testa, e as que são acompanhadas de outros sinais e sintomas. Todas têm a peculiaridade de possuírem tons e gradações que vão desde dores mais leves até as  mais intensas, que inabilitam a pessoa por um ou mais dias. Assim é que, para elucidar a causa, o médico deve entender todas as características da dor.

    A sinusite, nestes tempos invernais, pode, sim, ser uma das razões que explicam a quantidade de pessoas que tem se queixado de dor de cabeça.

    O ar mais frio, seco, poluído e a aglomeração de pessoas em locais fechados facilitam a exposição e o contágio por agentes infecciosos que, uma vez inalados, podem desencadear quadros como o da sinusite em pessoas mais predispostas. A sinusite aguda  é uma infecção de uma região da cabeça chamada seios da face. Os seios da face compreendem a região da “maçã” do rosto, ao lado do nariz e a testa. As secreções contaminadas penetram nestes seios levando a uma intensa reação inflamatória e infecciosa. Resultado: secreções aumentadas e infectadas, congestão, mal estar, tosse, principalmente noturna, dores pelo corpo e… dor de cabeça.

    A dor de cabeça da sinusite tem características específicas: geralmente é pulsátil, sendo que piora e pulsa mais quando abaixamos ou mexemos a cabeça de um lado para o outro. Os locais mais doloridos são a testa ou a região das “maçãs” da face. Muitas pessoas até acham que estão com dor de ouvido ou dor de dente. Confunde mesmo. Pode acontecer durante o dia e/ou à noite, e piora  com a tosse ou com os espirros. Geralmente não há aura ou enjoos associados. O nariz fica tapado, dificultando a respiração, a tosse tem catarro e muitas vezes aparece uma ou duas horas depois que se deita.

    O diagnóstico pode ser feito com base na história clínica  e no exame físico do paciente. Se o médico quiser, no entanto, pode solicitar exames de imagem. Saliente-se que o conhecido e popular raio X de seios da face pode não ser o procedimento de escolha para crianças, uma vez que a aeração completa dos seios da face só acontece após os 7 anos de idade. Além disso, qualquer gripe ou resfriado com sinais de congestão podem levar a um resultado positivo, o que nem sempre significa sinusite. Por esta razão, muitas pessoas que supõem ter sinusites de repetição tem, na verdade, outras causas para a dor frequente de cabeça como, por exemplo,  uma crise de enxaqueca.

    Fique atento: sinusite pode dar dor de cabeça, mas nem toda dor de cabeça é sinusite!

  • Dr. Ana fala sobre obesidade infantil e refrigerantes

    Os números da obesidade infantil no Brasil assustam. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) tem-se que aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos no Brasil está com excesso de peso. A região sudeste predomina, com 38,8% das crianças acima do peso, seguida pelas regiões sul (35,9%), centro oeste (35,1%), nordeste (28,1%) e norte (25,6%).

    Grande motivo para preocupação é que estes números estão aumentando. Imaginar que 1 em cada 3 crianças brasileiras está com o peso acima do esperado para a idade é extremamente alarmante. Quais razões seriam as apontadas para tal?

    Na semana passada a Ambev, Coca Cola Brasil e a PepsiCo anunciaram que a partir de agostovão ajustar o portfolio de bebidas vendidas nas cantinas das escolas. Para as crianças com menos de 12 anos de idade estarão disponíveis apenas água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos. Esta decisão baseia-se no fato de que crianças menores de 12 anos não tem ainda discernimento suficiente para fazer suas escolhas nutricionalmente mais adequadas. Optaram por oferecer-lhes alimentos com maior valor nutritivo. Isso é muito importante. Nas escolas, os “refris”, portanto, estarão fora do alcance desta turminha. Se pensarmos que em cada latinha há uma média de 37 gramas de açúcar, entenderemos que esta é uma excelente decisão. Ponto para as empresas.

    Mas isto seria suficiente para diminuir as preocupantes taxas de sobrepeso e obesidade infantis? Claro que não. Óbvio que os refrigerantes não são os responsáveis por estes números crescentes de crianças com excesso de peso  que, na vida adulta, estarão destinadas a uma qualidade de vida mais precária com as prováveis comorbidades associadas como, por exemplo, maior propensão à diabetes ou às doenças cardiovasculares; quais sejam, hipertensão, acidentes vasculares cerebrais ou infartos.

    Quem ou o quê, então, estaria por trás destes números crescentes de sobrepeso e obesidade infantis?

    O estilo de vida das famílias contemporâneas. Vamos refletir um pouco sobre isso.

    Crianças pequenas não vão ao supermercado sozinhas, e muito menos pagam as contas no caixa. As prateleiras das casas são abastecidas por adultos que fazem as opções de compras.

    Crianças pequenas não cozinham. Quem prepara os pratos das famílias são adultos que teoricamente tem consciência do que deve ser mais saudável para a família.

    Crianças pequenas gostam de brincar ao ar livre, jogar bola, correr ou se espalhar pelo ambiente. Arrumar-lhes espaço para tal – um parque aos finais de semana, por exemplo –  é um dever dos adultos, supostamente conscientes da importância de exercícios físicos em todas as idades.

    Crianças pequenas não conseguem, sozinhas, comprar eletrônicos que as consomem e cruelmente roubam sua capacidade de gastar a energia física de forma saudável.

    Louvável decisão das empresas. Mas retirar os “refris” do cardápio infantil ou das prateleiras de todos os supermercados do mundo definitivamente não irá, como num passe de mágica, resolver o problema da obesidade infantil.

    A resolução está nas mãos – e principalmente na consciência – de cada família.

    Leia mais em: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dr Ana dá dicas para proteger a pele e os lábios do frio

    Pedestre se protege do frio na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), na manhã desta sexta-feira (29)

    Basta esfriar um pouco e muita gente, crianças especialmente, aparecem com a mucosa dos lábios “queimada” pelo frio. Incomoda demais. Outros começam a apresentar coceiras e lesões na pele que está naturalmente mais ressecada no frio. Sem dúvida, a pele e as mucosas ficam mais sensíveis e muito mais expostas a diversas agressões no inverno.

    Por que isso acontece? Como fazer para evitar? Vamos entender.

    A pele é o maior órgão de nosso corpo. Tem várias funções importantes. Entre tantas, a nobre missão de separar o ambiente externo do organismo, tentando manter a temperatura corpórea a mais estável possível, perto de 36,5ºC, independentemente do fato de a temperatura ambiente estar 10ºC ou 39ºC. Os poros se abrem ou se fecham, retendo ou liberando o calor interno, dependendo das circunstâncias climáticas.

    Além disso, a pele é uma eficiente barreira contra agressores externos. Para tal, produz uma camada de óleo que atua como um mecanismo de proteção.

    Nos dias mais frios, os poros se fecham. Menos água sai do corpo e, portanto, suamos menos. A pele fica mais seca. Além disso, a produção natural de óleo diminui. Consequência: esta camada protetora,  composta por óleo e água, diminui também.

    Além disso, nos dias frios tendemos a tomar banhos muito mais quentes. A água quente tem a capacidade de retirar mais ainda a oleosidade natural da pele. Resultado: a pele fica muito mais ressecada e sem defesas naturais. Fica, portanto, muito mais exposta a microrganismos como vírus, bactérias e fungos. Além disso, o contato com as roupas ou alérgenos do ar nos deixa mais propensos a processos alérgicos. Como consequência do conjunto destas agressões, a pele pode ficar vermelha, com prurido  e bem mais susceptível a lesões de vários tipos como psoríase, eczema ou dermatite seborreica.

    O mesmo acontece com a mucosa dos lábios. A mucosa labial é extremamente sensível  e a lesão produzida pelo frio  é como uma “queimadura”: a pele fica muito vermelha, arde e dói. A tendência de todos é tentar aliviar o ardor com a saliva, passando a língua no lábio machucado. Pode aliviar um pouco no momento. Mas… em poucos segundos  o ardor volta e geralmente volta mais intenso. Isso porque a saliva contem várias enzimas digestivas que machucam mais ainda uma mucosa já lesada. Resultado: piora a lesão, ao invés de melhorar.

    Como  proteger a pele e os lábios do frio? Vamos às dicas.
     
    1. Evite banhos quentes e prolongados. Não é nada fácil neste frio. Mas uma dica pode ajudar: antes de começar seu banho, leve um aquecedor para o banheiro, deixando-o previamente aquecido e gostoso. Um banheiro quentinho é muito mais confortável e permite que a temperatura da água seja bem mais baixa. Não fique cantando ou enrolando no chuveiro. Banho rápido: 10 minutos no máximo.

    2. Escolha bem seu sabonete. Dê preferencia aos líquidos ou neutros, pois hidratam mais a pele.

    3. Enxugue-se bem com uma toalha macia. Toalhas ásperas podem provocar uma esfoliação e retirar mais ainda a proteção natural da pele.

    4. Antes de se vestir passe um hidratante no corpo, principalmente nos braços, pernas e rosto. Aplique também um protetor labial. Pata tal, os produtos à base de manteiga de cacau são bastante indicados. Reaplique sempre que necessário.

    5. Evite tecidos sintéticos. Podem provocar alergia e lesões pruriginosas na pele. Roupas de baixo de algodão são excelentes no frio.

    Curta o frio com a pele intacta, quentinha  e principalmente saudável!

    Foto: J. Duran Machfee/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dr. Ana fala sobre estupro: “dói na alma e não no útero”

    Esta frase dita pela menor de 16 anos que sofreu um estupro coletivo no Rio de Janeiro é chocante, verdadeira, essencialmente sofrida e mesmo assim, muito provavelmente não chega nem perto da intensidade de emoções terríveis por que esta jovem menina passou ao sofrer um estupro coletivo.

     

    A barbárie deste ato coletivo de estupro nos impele a pensar e refletir sobre de onde vem este impulso animal que leva homens teoricamente racionais e também portadores de suas próprias emoções a cometerem esta insanidade.

     

    O quê estes homens quiseram provar para eles mesmos? Que são sexualmente “superiores”? Que “dominam” uma relação sexual? Que os “machos” não tem culpa de estuprar pois  são provocados por roupas femininas apertadas e sensuais? Que as mulheres devem ser sempre submissas aos seus “desejos”? Que o sentimento tribal e irracional deve prevalecer sob todos e quaisquer sentimentos  humanos? Que o homem é mais “poderoso” que a mulher? Qualquer explicação – se é que pode haver uma- é pouca e jamais será compreensível pela razão e muito menos pela emoção.

     

    Na verdade, este ato  imundo sob o ponto de vista humano só vem a demonstrar o oposto disto tudo. Deixa claro a extrema covardia destes homens, além de sua insegurança afetiva, incapacidade emocional, impotência de caráter, ausência de valores e uma inadmissível submissão às ideias estapafúrdias e monstruosas de outros “homens” hierarquicamente a eles superiores, que os subjugaram e os dominaram em todos os sentidos. Alguém deu a “ideia” e os outros a executaram. Os estupradores estavam seguindo “ordens de comando”? Que raio de “macheza” é essa? Patético e absurdo.

     

    Dói na alma da jovem vítima. E também na alma de todos nós. Este estupro coletivo é um ato de violência contra a humanidade. Todos nos sentimos emocionalmente violentados, na medida em que os valores humanísticos em que acreditamos; como amor,  solidariedade e compaixão, para citar alguns,  foram ultrajados de forma intensamente cruel.

     

    É importante que todos demonstremos repúdio incessante e constante a indivíduos como estes, que na sua extrema covardia só demonstraram sua incapacidade, insegurança, fraqueza e impotência enquanto seres humanos.

     

    Que o sentimento de dor que todos compartilhamos com a jovem menina se transforme em força que nos revigora o caráter e nossos valores mais nobres para que continuemos acreditando na humanidade e no fato de que estes homens receberão a justa punição pelo seu ato indigno, covarde e ignóbil.

     

    Se não forem devidamente punidos a alma de todos nós continuará doendo. E a consciência dos que deveriam promover e executar a justiça neste país. Pelo menos assim queremos supor.

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dr. Ana esclarece suas dúvidas sobre a caxumba

    Uma doença “antiga”, conhecida por nossos avós e bisavós, está de volta: a caxumba. Neste ano, a cidade de São Paulo registrou um aumento expressivo de 500%  no número de pessoas acometidas pelo vírus da caxumba. Adolescentes e adultos jovens foram os mais acometidos. Considerando-se que existe uma vacina altamente eficaz, quais seriam as causas deste surto de caxumba? Quais as suas principais complicações? Esclareça suas dúvidas.

    – O que é a caxumba?
     
    A caxumba é uma doença transmitida por um vírus da família do Paramyxovírus. Este vírus  pode “atacar” a parótida, mais comumente,  e outras  glândulas salivares. A parótida está localizada na região da mandíbula, um pouco abaixo da orelha. Por isso a caxumba também é chamada de “parotidite”. Como temos 2 glândulas parótidas, uma de cada lado, as pessoas podem ter a caxumba de um lado só ou dos dois. Quem teve de um lado só pode ficar tranquilo, pois já está protegido.

    – Quais são os sintomas da caxumba?

    A caxumba começa com febre, dor de cabeça, dores musculares, desânimo, cansaço, náuseas e dor abaixo da orelha. Mais ou menos um dia depois começa a aparecer o inchaço característico na região da mandíbula. Os gânglios do pescoço em geral aumentam de tamanho e a pessoa tem muita dor nesta região. Dói muito para mastigar. Isso porque a parótida é uma glândula salivar e está toda inflamada. Quando tem que produzir saliva, dói. Alimentos ácidos, que provocam muita salivação, são extremamente desconfortáveis e contraindicados para quem está com caxumba.

    – Como se “pega” caxumba?

    A caxumba é transmitida pela saliva contaminada e por gotículas de saliva com os vírus  que ficam em suspensão no ar. Por isso deve-se evitar compartilhar talheres, pratos, copos ou respirar muito perto de quem está com caxumba.

    – Qual é o período de contagiosidade?

    Aí é que está. A pessoa acometida pode estar transmitindo a caxumba (sem saber) uns 3 dias antes dos sintomas começarem. E permanece contagiosa até mais ou menos 7-10 dias depois que os sintomas surgiram. O período de incubação dura de 2 a 3 semanas.

    – Existe tratamento para a caxumba?

    Não! A doença é causada por um vírus para o qual não há nenhuma terapêutica específica. O tratamento mais importante consiste em uma boa alimentação, hidratação e repouso. Principalmente o repouso, para que o sistema imune utilize nossas energias para  nos defender e evitar as complicações.

    – Quais são as complicações da caxumba?

    O vírus pode acometer outros órgãos e sistemas e dar meningite, orquite, que é a inflamação dos testículos, a ooforite, que é a inflamação dos ovários, pancreatite, neurite ou até surdez.

    – A caxumba pode deixar o homem estéril?

    Sim, se os dois testículos forem acometidos de forma importante. Mas isso é muito raro de acontecer.  Quando acontece, é mais comum que seja em apenas um testículo. O testículo bom funciona normalmente e neste caso não há risco de esterilidade.

    – Há vacinas para a caxumba? Adultos podem ser vacinados?

    Sim. Há vacinas e são extremamente eficazes. Existem duas vacinas: uma que vem junto com a do Sarampo e Rubéola (SCR), chamada de tríplice viral e outra que vem junto com a do Sarampo, Rubéola e Catapora (SCRV), chamada  de tetraviral. Ambas são eficientes. Nas crianças, a primeira dose deve ser dada com 1 ano de idade e um reforço entre 15 meses e 2 anos. Os adultos não vacinados – ou que não souberem se foram ou não vacinados- devem tomar 2 doses, com intervalo de 1 mês entre elas.

    – Quem já teve caxumba precisa ser vacinado?

    Não. A doença caxumba protege para o resto da vida.

    – Por que agora estão aumentando os casos de caxumba?

    Muito provavelmente porque quando os atuais adolescentes e adultos jovens eram crianças não estava indicada a dose de reforço. Com o tempo,  a imunidade deles diminuiu. Por isso a dose de reforço é super importante.

     Mais informações em: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/
  • Dr. Ana fala sobre o quão difícil é a vida adulta

    O documentário “O Começo da Vida” estreou nos cinemas nacionais nesta última semana. Trata-se de uma iniciativa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, da Fundação Bernard Van Leer, do Instituto Alana e do Fundo das Nações Un\idas para a Infância (UNICEF), com produção da Maria Farinha Filmes.

    É um filme essencial, dado que aponta a definitiva importância da primeira infância na formação do indivíduo. Saliente-se que esta constatação tem como base estudos neurocientíficos realizados nas grandes universidades do mundo, como a de Harvard, por exemplo, onde pesquisadores estudam em profundidade como se forma a complexa rede de neurônios nos primeiros 2 anos de vida.

    Trata-se, portanto, de uma constatação científica sobre as bases da arquitetura cerebral.  O fio condutor e o apelo emocional do filme materializam-se por meio de alguns relatos de pessoas, de seus núcleos familiares ou de suas experiências de vida, escolhidos a dedo nos continentes mais distantes e distintos do planeta, onde se experimentam as mais diversas culturas e hábitos de vida.

    O filme deixa claro que, não obstante a intensa e profunda diversidade cultural e geográfica, o cuidado com as crianças nos primeiros 2 anos de vida e principalmente o vínculo afetivo que se estabelece com os cuidadores, sejam eles pai, mãe, avós, dois pais, duas mães, professores ou irmãos mais velhos são universais  e definitivos para a formação de uma  rede de neurônios mais robusta que, consequentemente, permitirá ao futuro adulto uma possibilidade mais ampla de  aptidões e habilidades em todos os setores.

    É esta a mensagem que a neurociência nos transmite: o vínculo afetivo forte de um adulto cuidador com os pequenos, essencialmente nos dois primeiros anos de vida, é absolutamente fundamental para a formação do indivíduo sob os aspectos psicoemocionais e cognitivos.

    Pesquisadores estimaram a seguinte conta: para cada dólar gasto com a primeira infância deve-se obter um lucro de 7 dólares no futuro, uma vez que se espera um indivíduo mais solidamente formado em sua rede de conexões neuronais.

    Cuidar dos pequenos, estar presente e participar de seus literais primeiros passos em todos os setores da vida não é tarefa fácil. Ainda mais em um mundo onde as condições sociais e econômicas são difíceis para a maioria das pessoas, em todos os cantos do mundo.

    Não é nada fácil suprir as necessidades essenciais de um núcleo familiar com crianças pequenas. Morar, comer, locomover-se e ter lazer são absolutamente essenciais para a vida normal e cotidiana de todos.  Os adultos necessariamente têm que trabalhar para conseguir isso. Para tanto, devem se organizar para deixar seus filhos pequenos em creches, berçários ou com cuidadores.

    Para muitos não é nada fácil, sob o ponto de vista psicoemocional, deixar os filhos para ter que ganhar a vida. Sair cedo de casa, trabalhar o dia todo e voltar à noite, quando todos já estão cansados e querendo dormir dificulta uma convivência mais íntima entre as pessoas da família. Por outro lado, no mundo de hoje, ficar em casa com as infinitas (não acabam nunca mesmo), cansativas e repetitivas tarefas domésticas também não é muito estimulante para adultos jovens que cresceram tendo a realização profissional como uma de suas metas.

    Conciliar, portanto, o que a neurociência nos ensina em relação ao vínculo e a importância do estar junto, supervisionar e “cuidar” dos filhos pequenos, especialmente aqueles com menos de 2 anos de idade e as exigências da vida e dos tempos modernos não é, definitivamente, tarefa fácil. Nem sob o ponto de vista prático nem sob a ótica das emoções.

    Não é fácil ser um adulto jovem com filhos pequenos hoje em dia. Mas quem já passou por esta fase insiste que vale a pena. E recomenda fortemente.

  • Drª Ana pergunta: Você dorme bem?

    Responda às seguintes perguntas:

    1. Você tem  dificuldade para começar a dormir ou em manter o seu sono ao longo da noite, estando em condições ambientais de temperatura e ruído adequadas?

    1. Você acorda descansado?

    1. Você tem dificuldade para dormir,  acorda durante a noite sem conseguir pegar no sono de novo  por pelo menos três vezes na semana por um período maior ou igual a três meses?

    Se suas respostas foram  SIM para as perguntas número 1 e 3 e NÃO para a pergunta 2 então há uma grande chance de que você esteja entre os 30% de pessoas no mundo que sofrem de insônia crônica.

    Quem tem dificuldade para pegar no sono ou dormir a noite inteira, acorda cansado, fica com a sensação de que precisa de um “cochilo” o dia todo, mas não se enquadra na pergunta 3 pode ter uma forma aguda ou intermitente de insônia.

    Quantas horas você dorme por noite?

    Cada um tem seu ritmo de sono, mas estudos demonstram que a maioria dos adultos deve dormir pelo menos de 7 a 8 horas e os adolescentes de 9 a 10 horas por noite. Exatamente assim: menos que isso é pouco.

    Quem é que mais “rouba” o sono das pessoas?

    Os problemas de ordem psicoemocionais. Vivemos uma era onde a ansiedade domina o cotidiano de muita gente. E esta ansiedade não os abandona à noite. De fato, quem é muito ansioso durante o dia, na execução de suas tarefas e afazeres, também o é durante a noite. Ao longo dia estas pessoas se preocupam e cuidam de uma série de situações. Quem as consegue “desligar” à noite? Não é fácil. Quando se deitam, os pensamentos dos problemas, das preocupações e dos milhões de coisas para fazer, por fazer, não feitas ou mal feitas orbitam seus pensamentos, provocando a liberação de adrenalina e acelerando um coração que não consegue sossegar e relaxar.

    Durante à noite, quando tudo está mais calmo e silencioso, muitas vezes as pessoas com excesso de ansiedade amplificam sua sensação de insegurança, seus medos, receios e preocupações. E isso só faz aumentar a dificuldade para conseguir dormir em paz.

    Situações pontuais e extremamente estressantes como a perda  de alguém muito próximo, separações, dificuldades econômicas, perspectivas de mudança de vida, de emprego ou de desemprego, preocupação com doenças, ou até situações de extrema alegria como o nascimento de um filho, casamento ou viagens, por exemplo, também podem contribuir para noites mal dormidas.

    Quais doenças também podem perturbar o sono?

    Doenças físicas que cursam com dificuldades respiratórias como, por exemplo, obstrução pulmonar crônica, asma, ronco em excesso ou apneia do sono, onde as pessoas acometidas tem episódios noturnos de pequenas paradas respiratórias impedem, com frequência,  a entrada na fase de sono que repara e regenera o organismo  atrapalhando uma boa e tranquila noite. Dores crônicas como fibromialgia ou quaisquer outros tipos de dores, desconfortos físicos provocados por doenças como refluxo gastro-esofágico  ou situações específicas como a síndrome das pernas inquietas também são impeditivas de uma noite tranquila e bem dormida.

    O quê pode ser feito para tratar ou pelo menos tentar minimizar a insônia?

     

    Quem dorme mal por alguma causa física, naturalmente deve procurar o tratamento específico para a situação de base.

    Quem tem insônia crônica não relacionada a qualquer problema físico deve procurar um especialista do sono, pois o tratamento necessariamente requer terapias individualizadas. Há inúmeros medicamentos que podem ser prescritos pelo médico para diminuir o desconforto das noites não dormidas.

    Para os que sofrem de insônia aguda ou intermitente o melhor a fazer, sempre que possível, claro, é também identificar a causa de base, muitas vezes de origem psicoemocional,  e lá centrar os esforços terapêuticos.

    Mas como nem sempre descobrimos o quê exatamente é que nos está tirando o sono, aqui vão umas dicas universais que servem para todos:

     À tarde:

    – Tome o último café ou qualquer alimento que contenha cafeína às 16 horas.

    – Pratique regularmente exercícios físicos. Ajudam bastante a relaxar. Mas evite-os nas  4 horas que antecedem seu horário  de ir para a cama.

    No jantar:

    – Tente jantar pelo menos 2 horas antes de dormir.

    – Coma leve. Evite frituras e comidas muito pesadas. Sempre que possível, evite também o álcool. Até aquela taça de vinho que teoricamente relaxa pode tirar o seu sono depois. Veja se este é o seu caso.

    – Evite assuntos desagradáveis. Brigas e discussões são péssimas companheiras para as refeições. Pior ainda à noite, quando todos estão cansados e sem paciência.

    Na hora de dormir:

    – Tome um banho gostoso e relaxante.

    – Tome um copo de leite morno, ou um chá de camomila ou erva doce ou erva cidreira.

    – Tente se deitar na mesma hora e JAMAIS leve para a cama quaisquer eletrônicos – celular, nem pensar!-  com luz na sua cara. Aproveite para ler um livro ou uma revista. A luz inibe a produção de um hormônio, a melatonina, que é essencial para te induzir ao sono.

    – Tente deixar o melhor ambiente possível no quarto: sem barulho e fresquinho.

    – Se acordar no meio da noite, NÃO fique se virando de um lado para o outro na cama. Levante-se e distraia sua cabeça com algo que te descanse. Tente não pensar com angústia no dia seguinte e nas horas de sono que você está perdendo, pois isso só estressa e faz aumentar sua insônia.

    Não é fácil sonhar com os anjos. Mas sempre vale tentar!

  • Dr.ª Ana fala sobre a ‘pílula do câncer’

    O governo brasileiro recentemente legalizou, com algumas ressalvas, o uso da fosfoetanolamina sintética, conhecida como “pílula do câncer”. Os pacientes que quiserem a podem utilizar “por livre escolha”, isto é, se eles próprios quiserem, DESDE QUE haja um laudo médico que informe e comprove o diagnóstico específico para o qual a pílula está sendo indicada e DESDE QUE os interessados, ou seus responsáveis legais, assinem um termo de consentimento.

    Imediatamente a comunidade científica se rebelou contra esta medida. A Anvisa estuda se vai entrar com uma ação na justiça para anular esta lei sancionada pela presidência da República. Os cientistas, médicos e especialistas argumentam que ainda NÃO há estudos suficientes que comprovem a sua  segurança e eficácia e que, por conseguinte, seu uso indiscriminado, ainda que com as ressalvas acima definidas, poderia expor pessoas acometidas de câncer a riscos ainda maiores.

    Mais que isso: este fato, por si só, poderia abrir um grave e sério precedente, na medida em que passa por cima da opinião técnica e científica de especialistas que tem a responsabilidade de pesquisar e deliberar, com base em dados concretos e cientificamente sólidos, sobre um produto que pode afetar irreversivelmente a saúde das pessoas. O governo, na verdade, ignorou os pareceres técnicos, todos contrários à liberação da pílula.

    A fosfoetanolamina é uma molécula sinteticamente produzida e administrada por via oral. Uma vez  absorvida pelo organismo, tem a capacidade de penetrar, junto com moléculas de gordura, nas células tumorais, onde atuaria como uma “inimiga oculta”, sinalizando e expondo as ditas células doentes para o sistema de defesa do organismo, que trataria de eliminá-las. Este é o seu mecanismo de ação proposto.

    Os cientistas contra-argumentam dizendo que as pesquisas que constatam seu “sucesso” em diminuir tumores foram realizadas com animais de laboratório e que ainda não há estudos robustos sobre sua segurança e eficácia em humanos.

    Dá para imaginar a imensa responsabilidade social e humana destes especialistas, ao recomendarem “SIM” ou “NÃO” a determinado medicamento que, teoricamente,  se propõe a  salvar vidas? Há que se estudar e pesquisar com seriedade e muito conhecimento técnico.

    Por outro lado, dá para imaginar o sofrimento e a angústia das pessoas que tem o  diagnóstico de um câncer terminal, sem chances de cura pelos métodos tradicionais? E o sofrimento de seus familiares e amigos? Será que cada um de nós não faria tudo o que estivesse ao nosso alcance para tentar salvar a vida de alguém próximo de nós nesta situação? Inclusive optando por um medicamento não regulamentado?

    Complicado, não é mesmo?

    Difícil decidir entre o  peso da responsabilidade científica que procura o mais seguro e eficaz para todos e a opção individual, única e de cada um, apoiada estritamente nos sentimentos e angústias humanas mais exacerbados e compreensíveis quando se está frente à iminência inequívoca da morte anunciada.

    Resta-nos, por enquanto, aguardar que as pesquisas científicas definitivamente nos respondam com mais segurança se a “pílula do câncer” pode, deve ou não pode nem deve ser utilizada.

    Até lá, a decisão fica a cargo de cada um. Coração e razão nem sempre andam juntos. Isso também é muito humano.

    Fonte; http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dr.ª Ana fala se o processo de impeachment pode afetar sua saúde

    O país vive um momento político turbulento. O clima está quente não apenas nos termômetros nacionais, mas também no dia a dia de todos nós. Com tanto acesso à comunicação, basta um “clic” qualquer e… pronto: as notícias nos chegam em tempo real. Em um momento de transição política, os ânimos dos atores e dos espectadores deste “show” estão fervendo. De um lado e de outro.

    A economia do país paralisou-se e as previsões são difíceis e incertas a curto e médio prazos. O desemprego e a falta de perspectiva para conseguir trabalho já é real para muitas famílias.

    A saúde vai de mal a pior. Os agentes infecciosos não nos dão trégua. Dengue, chikungunya, zika e o surto antecipado de influenza que provoca filas nos postos de vacina e mortes nos corredores lotados dos hospitais. As imagens do bebês microcéfalos e dos doentes sem assistência médica nos chocam e angustiam.

    Os pacientes que  só tem a saúde pública para recorrer sabem que o sofrimento e a angústia com a doença se intensificam e se potencializam ante a constatação da falência do sistema, do descaso e do abandono com que são tratados.

    Este clima tenso e de insegurança com o futuro, que reflete inevitavelmente em  nosso núcleo  familiar,  afeta diretamente nossa saúde. A tensão e o estresse passam a fazer parte de cada segundo da nossa vida. E muitas vezes nem percebemos isso direito. Mas lá está ele, às vezes silencioso e escondido, outras vezes de forma mais escancarada, acelerando nossos batimentos cardíacos, nossos movimentos respiratórios e nos tirando a paz.

    A crise política, econômica e na  saúde nos deixa angustiados, tensos e estressados.  Aí é que está o problema: isso não é bom para o organismo. Vamos entender por que.

    Há três níveis de estresse. Como se fossem  as luzes de um semáforo de trânsito.

    O primeiro nível – o estresse “verde”– é considerado o stress “do bem”.  É aquele que nos impulsiona para frente, para a luta. Quando temos, por exemplo, uma prova ou um jogo difícil. Ficamos estressados. O organismo passa a liberar uma quantidade maior de adrenalina que nos impulsiona a estudar ou a nos preparar para o jogo. Isso é positivo. Encaramos a “luta”. Ao final, a liberação de adrenalina e de outros hormônios cessa e voltamos ao normal: o estresse acaba.

    O segundo nível, ou o estresse “amarelo”, acontece quando passamos por situações mais prolongadas de sofrimento, sem data para acabar. Seja por causa de uma perda, por indefinições ou incertezas angustiantes, como, por exemplo,  romper um casamento, falecimento de um familiar ou amigo próximo, conviver com um diagnóstico não favorável ou sofrer diretamente as consequências desta situação de instabilidade e insegurança por que passa o país: perder o emprego ou saber-se impossibilitado de receber assistência médica decente para si mesmo ou para pessoas da família, crianças incluídas, caso estejam com suspeita de quaisquer doenças.

    O terceiro nível é o estresse “vermelho”, ou chamado estresse tóxico. Este é o nível mais deletério e constante de estresse, que pode, em crianças em crescimento, destruir conexões neuronais já estabelecidas, comprometendo irreversivelmente os pequenos. São os casos extremos de violência familiar, abuso sexual, negligência ou abandono, por exemplo.

    Muitos brasileiros estão vivendo um nível de estresse “amarelo”. Resultado: o humor fica mais lábil e muito mais explosivo. O nervosismo e a intolerância com o próximo ficam mais evidentes. A chance de infartos e de acidentes vasculares aumenta. Crises de ansiedade e até de depressão ficam mais favorecidas em um ambiente pouco acolhedor.

    Neste cenário, o impeachment pode, sim, fazer bem para a saúde. Trás consigo  uma perspectiva de mudança, de finitude de um momento que foi deletério e que gerou tantas consequências negativas. Aponta – ainda que remotamente –  para uma possibilidade de recuperação. Por isso, esta semana que começa acena com novos ares. Respiremos!

     Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/
  • Filas para vacinar contra a gripe: encarar ou aguardar?

    Quando constatamos que, nesta última semana,  formou-se  uma fila enorme de pessoas na porta de uma concessionária de veículos BMW em São Paulo para receber uma dose contra a vacina da gripe, há que se parar tudo e perguntar: o quê está  acontecendo, de fato e na vida real? Será que há um risco tão grande assim de morte por gripe  que justifique a fila de pessoas aflitas que, desde o início da manhã, esperavam  na porta de uma concessionária de veículos, não para fazer um test drive, mas para receber vacina da gripe? Em qual mundo estamos? Isso é um cuidado necessário ou um medo em exagero?

    Vamos aos fatos para tentar entender.

    O cenário brasileiro não está nada favorável. Em nenhum setor. A instabilidade política e toda a lama que brota de cada informação que nos é divulgada dá uma  sensação ruim em todos os que honestamente lutamos por valores a serem perpetuados como a verdade clara e sem rodeios, a solidariedade e o respeito pelo outro, a correção de caráter e a palavra que honra e dignifica.

    Paralelamente, a saúde do brasileiro vai de mal a pior. Somos testemunhas da trágica situação dos bebês microcéfalos e de suas famílias que buscam recursos em uma saúde falida e que quase nada oferece para estimular o cuidado de seus filhos. A dengue segue matando cotidianamente pessoas picadas pelo Aedes que continua e continuará voando impune por todo o território nacional.

    Não bastasse tudo isso, outro personagem chegou mais cedo para compor este nefasto palco: o vírus influenza, causador da gripe, mais especificamente o A (H1N1), que aqui aportou e já tirou a vida de quase uma centena de pessoas. Só que, para este personagem, existe uma arma eficaz: a vacina.

    Resultado: diante de todo este cenário de desgraças, nós brasileiros, já preocupados, angustiados e inseguros, não tivemos nenhuma dúvida: vamos encarar a fila que for necessária para garantir esta vacina. Mesmo que seja em uma concessionária de veículos. Não importa o local. Importa apenas garantir a proteção contra o único “inimigo” para o qual há proteção disponível.

    A energia do país está ruim. Muito ruim. Não há espaço ainda para que todos se lembrem e se alegrem com o fato de que em 3 meses estaremos abrigando o evento esportivo mais importante do planeta. Receberemos os atletas mais qualificados, os melhores de todos, os que romperão recordes e os que nos encherão os olhos com sua beleza, preparo e capacidade. Nada disso nos conforta. Estamos preocupados e inseguros nas filas, inclusive em concessionárias de veículos, para lutar por uma vacina da gripe. O que era para ser um “agrado” aos compradores dos carros virou uma necessidade pública. Parabéns à concessionária que entendeu rapidamente isso e mudou, em um segundo, sua estratégia para beneficiar   todos e não somente quem pretende comprar carros de luxo.

    Há um certo exagero em tudo isso?

    Não tenho dúvidas de que sim, há exagero. Claro está que isto não quer dizer que ninguém se preocupe com a gripe. NÃO! Sem radicalismos para quaisquer um dos dois lados. A informação aliada ao bom senso devem predominar sempre. E o que a informação e o bom senso nos dizem? Simples assim:

    – Quem está no grupo de risco, isto é, crianças de 6 meses a 5 anos de idade, gestantes, puérperas, idosos, pessoas portadoras de patologias crônicas e todos os cuidadores destes grupos devem, sim, receber a vacina o mais rapidamente possível. Idem para os profissionais de saúde e a população indígena. Estas pessoas devem ficar nas filas das clínicas particulares ou do sistema público, que, em São Paulo, antecipou a campanha de vacina e a partir da segunda feira, dia 11/04, passa a vacinar gratuitamente as crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes e idosos. A partir do dia 18/04 também receberão gratuitamente as puérperas de até 45 dias, os portadores de doenças crônicas e a população indígena. Isso significa que a partir do dia 18 todo o grupo de risco já pode e deve receber a vacina nos postos públicos do estado.

    – Quem NÃO está no grupo de risco pode esperar um pouco. Supõe-se que, a partir do dia 18/04 as filas já terão diminuído. Depois desta data, portanto, tomem a vacina com calma. Só que estas pessoas só as podem receber nas clínicas privadas. Até lá, tomem as precauções universais que valem para todos. Quais são estas precauções?

    – As precauções universais devem ser tomadas SEMPRE. Mesmo quem Já recebeu a vacina deve segui-las. Isso inclui: lavar as mãos com frequência e passar álcool gel, tossir com a boca no antebraço e não nas mãos, ventilar os ambientes, comer saudável, dormir bem e praticar esportes.

    Saúde sempre: com cuidado e sem exageros!

    FONTE: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/