Categoria: Saúde

  • WhatsApp faz bem ou mal para a saúde?

    “O WhatsApp saiu do ar e acabei de conhecer uma galera em casa; estão falando que são minha família”.

    Esta frase rodou pelas redes sociais e, não obstante o exagero da piada, o conteúdo assemelha-se  a uma  cena real que todos certamente já presenciamos alguma vez na vida: duas pessoas, sentadas à mesa de um restaurante, ambas com um celular na mão, conversando animadamente com outra pessoa em outro lugar ou com um grupo de pessoas, geralmente associados em um  nome peculiar como “amigos da academia”. As duas pessoas à mesma mesa de vez em quando param de digitar e trocam algumas palavras.

    Quantas boas conversas presenciais perdidas! Conversas sinceras, olho-no-olho, onde a expressão facial nos faz entender  melhor os sentimentos alheios, com muito maior sinceridade e veracidade do que todos os tipos de  carinhas amarelas ou de coraçõezinhos vermelhos pulsando… vazios de emoção.

    Sem saudosismo pueril, esse é o mundo de hoje e a ele vamos nos adaptando a cada dia que passa correndo. Mas, enquanto seres racionais que somos, refletir sobre a contemporaneidade é nossa obrigação e, por isso, não é descabida a pergunta: WhatsApp e outras formas de comunicação digital  fazem bem ou mal para a saúde?

    Como um medicamento que pode fazer bem ou mal, o uso da comunicação digital também depende da dose com que é utilizada. Pode nos dar felicidade, alegrias, curar alguns males ou, ao contrário e no sentido oposto, causar uma intoxicação.

    O mais recomendado é o uso equilibrado, sem jamais perder a noção do bom senso e – principalmente-  da boa educação. Isto pode parecer absolutamente óbvio, mas boa parte das pessoas tem extrema dificuldade em conseguir.

    Quando o uso do Whats ou das redes sociais é exagerado, pode levar a um estado de tensão contínua – muitas vezes imperceptível, posto que cotidiano – que pode, sim, causar danos à saúde física e mental.

    O uso sem senso e em tempo integral do WhatsApp ou das mensagens digitais em redes sociais  faz com que as pessoas vivam em constante estado de “ligação”. Em todos os sentidos. O “estar ligado” horas e horas seguidas: no banheiro, na cama, no cinema, na academia e onde mais for possível, falando com muitas e muitas pessoas simultaneamente, seja jogando conversa fora, seja resolvendo problemas, pendências de trabalho ou de situações pessoais, não permite um estado mais prolongado e necessário de relaxamento mental.

    Este volume exagerado e ininterrupto de mensagens leva a uma liberação contínua de adrenalina que tem como consequência  um estado de estresse que pode, por sua vez, potencializar males que, por esta e outras razões,  aumentam sua incidência nos dias de hoje como hipertensão, enxaqueca, cefaleias tensionais, ansiedade, insônia  e depressão. Jovens adultos ligadíssimos que o digam.

    Por mais inócuas que as conversas banais possam parecer,  tiram um tempo em que antes se passava com  uma “contemplação do nada”. O que seria isso? Pode parecer estranho, mas para a saúde – física e mental – é essencial alguns períodos de “desligamento” do mundo para que as energias se renovem.

    Para preservar nossa  saúde mental, os pensamentos e sentimentos dos momentos recentemente vividos precisam de um tempo para se organizar em nossa mente. As emoções  precisam decantar um pouco, de tempos em tempos, ao longo do dia. Necessitamos de alguns momentos de pausa para elaborar melhor o que nos cerca. Cotidianamente. Este é o significado do “olhar para o nada”, de quando em vez ao longo do dia.

    Para a saúde física, é importante desacelerar a adrenalina, para que os batimentos cardíacos sigam ritmados e tranquilos, para que a respiração se acalme e para que os músculos relaxem um pouco, deixando a circulação mais tranquila e menos propensa a surpresas desagradáveis.

    Para sua saúde física e mental, portanto, períodos de “desconexão” ao longo do dia são essenciais. Pratique-os.

    Comunicação é um dos pilares que movimenta o mundo neste século. Estar conectado é essencial para se comunicar. No entanto, seja soberano de você mesmo. Não há uma regra universal: cada um sabe de si.  Dite suas próprias regras- com base em suas reflexões sobre sua saúde – e seja feliz e saudável com elas.

  • Suicídio em adolescentes e adultos jovens está aumentando no Brasil: quais seriam as razões?

    Dados divulgados pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2% no Brasil. Estes dados são preocupantes e merecem um olhar atento de todos nós.

    Por que os jovens brasileiros estão cometendo suicídio  no auge de sua juventude? Quais as razões que levaram estas pessoas a tirar a própria vida, justamente num momento mágico de descobertas, de crescimento físico e intelectual, de aptidões que afloram, de talentos que surgem, de paixões intensas, de conquista da própria liberdade, de tantas possibilidades que estão por vir?

    O assunto é sério e merece muita reflexão. Não há, obviamente, uma única razão que explique a angústia e o sofrimento intenso de quem decidiu por fim à vida. Se o ato do suicídio parece violento para quem está observando de fora, imaginem a intensidade do desespero interno de quem optou por essa atitude.

    A depressão está aumentando em toda a população, inclusive entre os mais jovens. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país campeão mundial do transtorno de ansiedade e somos o quinto em número de pessoas com depressão; o que significa aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros.

    Doenças do corpo ou doenças da mente podem levar pessoas à morte. Cada uma de um jeito.  Depressão é uma doença que pode matar.  Parece mais fácil e aceitável compreender  que  um jovem venha a falecer vítima de uma doença como o  câncer, por exemplo. No entanto, compreender que um jovem, também vítima de uma doença como a depressão, tire a própria vida, num ato de extremo desespero é muito mais difícil, mesmo nos modernos dias de hoje. Ninguém “julga” ou considera “fraco” o jovem que morre vítima de câncer. Mas ainda há os que julgam e consideram um ato de fraqueza os que morrem vítimas de depressão. Sob o aspecto humano, temos ainda muito que evoluir.

    Por isso, há que se ficar atento aos sinais de depressão entre os nossos jovens. Cada um demonstra de um jeito. Tendência à solidão, um comportamento constantemente  mais introspectivo, falta de motivação, agressividade descontrolada, insônia ou, ao contrário, sonolência excessiva, são alguns de tantos sinais.

    Conversar abertamente, sem nenhum tipo de preconceito, saber escutar e procurar entender  o que se passa na cabeça de um jovem pode ser uma boa opção para começar. E hoje em dia há muitas possibilidades de tratamento que podem ajudar muito.

    O mundo está, de fato, mais difícil para os jovens. Não obstante toda a “revolução” tecnológica, toda a modernidade e instantaneidade da comunicação, o mundo está mais complicado para eles.

    As centenas de “amigos” que fazem nas redes sociais não dão conta de segurar o isolamento e a solidão que muitos jovens sentem. De fato, nas redes sociais, a regra geral é travestir-se no melhor   “personagem”  de si mesmo, com a melhor foto, em que todos aparecem bem sucedidos, fortes,  vigorosos, vencedores, passando pelo mundo com uma felicidade que nunca terá fim.

    Não é nada fácil sair do personagem criado e encarar o próprio “eu” frente a frente, tal como é: real, cotidiano, com tristezas, sofrimentos, pontos fracos, complexos e angústias tão naturais de todos os seres humanos.

    Mais difícil ainda talvez seja conversar com pessoas, amigos ou família,  sobre estes assuntos. A vida é muito corrida e ninguém parece querer saber de problemas.

    Além disso, a competitividade é intensa e explícita. Desde pequenas, as crianças tem suas agendas cheias de aulas e mais aulas extras, além das da  escola, para que estejam devidamente  “preparadas” para o mundo que as espera. Devem ser precocemente bilíngues, dominar um esporte, pertencer a uma “tribo” qualquer – pois qualquer tipo de comportamento diferente é motivo para bullying-
    e estar entre os primeiros alunos  de uma escola super bem pontuada no ranking nacional. A pressão é grande.

    A violência urbana, a que todos estamos expostos, ceifa momentos de descontração e de tranquilidade de todos. Não se pode andar ou perambular despreocupadamente pelas ruas. Não se pode ter um objeto de desejo, sem medo de ser assaltado. Ir e voltar das festas e baladas é motivo de preocupação dos pais. Há que se viver atento e em estado de tensão.

    O mundo não está fácil para ninguém. As dificuldades mais intensas podem desencadear processos depressivos nos jovens que podem ter consequências graves e extremas como o suicídio.

    Estar atento e conversar abertamente sobre todos os assuntos é o que podemos e devemos fazer. Sempre.

  • Bronquite, asma ou bronquiolite: qual a diferença?

    Na asma, bronquite ou bronquiolite o ato de respirar pode ser exaustivo. Pode cansar. Independentemente da idade, o esforço para fazer o ar entrar e sair dos pulmões pode ser extremamente difícil e desconfortável. Os músculos acessórios dos movimentos respiratórios entram em ação para ajudar a expandir os pulmões. As pessoas parecem respirar com a barriga de tanta força que fazem.

    Tanto a asma, como a bronquite ou a bronquiolite podem dar este quadro de dificuldade respiratória? Qual a diferença entre estas três condições? Como saber?

    As três situações podem dar desconforto respiratório de diferentes intensidades. No entanto, na asma e na bronquiolite a dificuldade para respirar pode ser mais significativa.

    As três situações cursam com obstrução das vias respiratórias. Porém, as causas e os mecanismos de obstrução são diferentes. Por isso é importante que se tenha o diagnóstico correto para que o tratamento – também diferente nas três condições-  possa ser adequadamente indicado. Vamos entender.

    Bronquiolite: é uma doença infecciosa, de causa viral, na maior parte das vezes causada pelo VRS, ou Vírus Sincicial Respiratório. Acomete bebês e crianças pequenas, geralmente menores de 2 anos de idade. Este vírus incide principalmente nos meses de outono e inverno. Na semana passada, em São Paulo, alguns Pronto Socorros infantis tiveram que fechar suas portas e em muitos hospitais não havia vagas em UTI tal quantidade de crianças pequenas acometidas. O vírus “ataca” a região do bronquíolo, provocando uma inflamação que estreita as vias respiratórias, dificultando a passagem do ar. Resultado: os bebês ficam cansados para respirar. Não há tratamento específico para este vírus. Por isso, muitas crianças ficam internadas para garantir a boa oxigenação do organismo . Dura de 7 a 10 dias e geralmente evolui bem.

    Sinal mais característico da bronquiolite: bebês ou crianças pequenas com respiração ofegante ou cansados para respirar, com ou sem febre. Nesta situação, procure rapidamente  atendimento médico.

    Bronquite: a bronquite é uma inflamação dos brônquios. Esta inflamação pode ser aguda ou crônica. A aguda é  geralmente causada por agentes infecciosos como vírus ou bactérias. Por isso pode ser acompanhada de febre e mal estar. A inflamação infecciosa nos brônquios estreita a passagem do ar, causando o desconforto para respirar. Pode acometer pessoas de quaisquer idades. Já a bronquite crônica pode ser causada por agentes irritantes dos brônquios como, por exemplo, o cigarro. A mucosa constantemente agredida e inflamada também estreita o calibre das vias respiratórias, dificultando a passagem do ar. O sintoma mais exuberante, seja da bronquite aguda ou da crônica,  é a tosse com catarro. As pessoas acometidas tossem para expelir as secreções que purgam nas vias respiratórias inflamadas. O tratamento da bronquite depende da sua causa e inclui também a limpeza das vias aéreas e a manutenção da oxigenação do organismo. Quando se suspeita de bronquite de causa bacteriana, os antibióticos podem ser indicados.

    Sinal mais característico da bronquite: tosse intensa,  constante, com expectoração.

    Asma: é uma doença inflamatória que se caracteriza por um espasmo da musculatura dos brônquios, ou seja, broncoespasmo. Os brônquios se “fecham”. Resultado: há um estreitamento – que pode ser intenso- das vias respiratórias causando muita falta de ar e desconforto para respirar. Este broncoespasmo inflamatório tem causas genéticas e pode ser desencadeado por alguns alérgenos ambientais, como cheiros específicos, pó ou pólen, por exemplo. Cada pessoa pode ter um desencadeante diferente. Evolui com períodos assintomáticos e períodos de crises. Hoje há muitas medicações para evitar que as pessoas suscetíveis entrem em crises agudas de risco.

    Sinal característico da asma: chiado no peito e dificuldade para expirar, isto é, para expelir o ar.

  • Fracionar a vacina da febre amarela: enganação ou proteção garantida?

    Na última semana, o governo anunciou a possibilidade de fracionar a vacina da febre amarela para que uma dose possa “render” cinco aplicações. Isso significa que cada ampola, que contém 10 doses para vacinar 10 pessoas,  será diluída para fornecer 50 aplicações e vacinar, portanto, 50 pessoas.

    A grande pergunta é: as pessoas devem ficar felizes e seguras, uma vez que conseguirão a tão procurada vacina, ou devem ficar apreensivas e inseguras com a possibilidade de terem sido ludibriadas e não estarem efetivamente protegidas contra esta doença que pode matar?

    Pois é. Esta estratégia de “diluir” a vacina foi utilizada em Angola em uma situação muito diferente da nossa: o país passava por uma epidemia de febre amarela urbana (a nossa é silvestre) e não havia vacinas disponíveis para todos. Tratava-se, portanto, de uma situação de extrema necessidade de contenção da epidemia.

    O surto atual de febre amarela no Brasil é silvestre. Isso significa que é transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. As pessoas contaminadas necessariamente estiveram nestas regiões endêmicas.

    No Brasil, não há relatos de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegytpi, desde 1942.

    A diluição da vacina garante proteção, segundo os estudos. Mas por um período muito menor. Exatamente 10 vezes menor. Isto quer dizer que as pessoas supostamente ficarão protegidas por apenas 1 ano, e não por 10 anos como acontece com a dose não fracionada.

    Vale a questão: e depois de 1 ano? Será que o surto já terá acabado? Ou será necessário  vacinar todo mundo de novo? Qual seria o efeito de múltiplas doses diluídas na população? Não se sabe! Sabe-se, isto sim,  que muito provavelmente as regiões endêmicas continuarão endêmicas em 2018. Vale dar uma proteção em muita gente por um ano apenas?

    Sabemos que os estoques  de vacinas do mundo, aí incluídas  as vacinas  da  nossa própria  produção em Bio-Manguinhos, Fiocruz, não é suficiente para suprir as demandas nacionais. As filas enormes nos postos de saúde e relatos de pessoas que não conseguiram ser vacinadas já fazem parte das nossas notícias cotidianas.

    O ministro da saúde afirmou que a diluição da vacina “significa um conforto à população. Estamos atendendo a uma ansiedade”.

    Claro que estamos ansiosos! Com toda razão de estarmos. A saúde pública no Brasil é um caos explícito. Não é confiável. Hospitais lotados, sem a menor condição de oferecer o atendimento decente que a população merece. Unidades Básicas de Saúde sem credibilidade e sem garantir à população  segurança e a resolutividade que se espera da Atenção Primária à Saúde.

    Claro que estamos ansiosos! Mais ainda com esta notícia da possibilidade de diluir a vacina da febre amarela.

    Esta é uma solução provisória, questionável sob o ponto de vista científico e que, ao contrário do que espera o Ministro, pode trazer mais desconfiança, insegurança  e incredibilidade para a população.

    Nesta difícil situação de escassez de vacinas, talvez  mais importante do que vacinar indiscriminadamente todo mundo – aí incluídos os que estão em regiões urbanas de áreas não endêmicas, que não necessitariam da vacina-  seja bloquear o surto, vacinando as pessoas que EFETIVAMENTE a necessitam  por estar em regiões de risco real.

    Este país é grande – não só territorialmente-  e é essencial entender que há por aqui grandes e excelentes especialistas no assunto, internacionalmente renomados, que podem contribuir – em muito –  com soluções cientificamente mais plausíveis, confiáveis e seguras para todos nós.

    Se o governo realmente quiser nos deixar menos ansiosos, converse com quem entende do assunto. Faça-se um grupo de trabalho que defina prioridades e metas a curto, médio e longo prazo e que explique com clareza e seriedade para a população todos os seus passos. A confiança no que se sabe correto é que diminuirá  a ansiedade de todos.

    Com a palavra, nossos especialistas.

  • Câncer: resultado de um jogo aleatório de sorte ou azar?

    Câncer é um dos diagnósticos mais temidos por todos no mundo de hoje. Significa ter que passar por um longo e difícil período em tratamento, que muitas vezes envolve extensas cirurgias, inúmeros tipos de medicamentos, além da radio ou da quimioterapia, que exigem muito do organismo de todos, por seus  inúmeros efeitos colaterais. Tudo isso para obter um resultado que nem sempre significa cura. Exige também, talvez mais que tudo, que se tenha nervos de aço e uma mente firme e forte o suficiente para passar por tudo isso da melhor forma possível. Não é fácil para ninguém.

     

    Por isso, a prevenção de uma doença como o câncer faz parte do controle de saúde das pessoas. Exames que são capazes de detectá-lo o mais precocemente possível fazem parte de protocolos mundiais dos check ups rotineiramente indicados para todos.

     

    Qual a causa do câncer? Quais fatores estão implicados na desorganização da multiplicação celular?

     

    Neste exato momento, no mundo, há muitos e muitos pesquisadores, em todos os cantos do planeta, à busca destas respostas.

     

    Sabe-se que fatores ambientais estão diretamente relacionados a alguns tipos de câncer. Tabagismo e câncer de pulmão, por exemplo. Não há dúvidas de que há uma clara relação de causa e efeito para a maioria das pessoas. Há exceções? Há quem fume e não tenha câncer de pulmão? Sim! Há quem não fume e também tenha câncer de pulmão? Sim! Por isso o câncer é uma doença que se diz multifatorial em suas causas. Depende da interação de várias condições.

     

    Sabe-se também que os fatores hereditários são importantes na determinação de alguns tipos de câncer. A atriz Angelina Jolie fez mastectomia (retirou os seios) voluntariamente considerando seu risco hereditário de câncer de mama.

     

    Há um fato novo. Na última semana, pesquisadores da conceituada Universidade John Hopkins dos Estados Unidos analisaram sequencias de DNA de 17 tipos de câncer em 69 países e concluíram que aproximadamente dois terços de todos os tipos de câncer são resultados de mutações aleatórias durante o processo de divisão celular.

     

    O que isto quer dizer?

     

    O seguinte: quando uma célula se multiplica, o seu DNA tem que se multiplicar, gerando 2 células idênticas. Pois bem: os pesquisadores descobriram que durante este processo de multiplicação pode acontecer uma mutação, ou seja,  um “erro” na formação do  DNA/”filho”, gerando células “defeituosas”. Na maior parte das vezes isso pode não ter significado algum. Mas em algumas situações, se esta mutação aconteceu em algum gene que regula a proliferação celular, este “erro” pode significar células com câncer.

     

    Isso quer dizer que o câncer pode também ser consequência do “acaso”. Pessoas saudáveis, sem predisposição hereditária e que vivem em um ambiente “amigo”, alimentando-se saudavelmente e praticando exercícios físicos podem também aparecer com algum tipo de câncer.

    Por conta disso vamos então deixar de ter um estilo de vida saudável?

     

    Claro que não! Com a nossa hereditariedade pouco podemos fazer. Mas o estilo de vida e o ambiente que escolhemos viver depende de nós mesmos. Comer bem, não fumar, praticar exercícios físicos e dormir bem nos dá algo vital e essencialmente importante: qualidade de vida.

     

    Qualidade de vida é primordial. Nos deixa mais fortes. Principalmente para enfrentar melhor as adversidades várias da vida, como o câncer.

     

  • Síndrome de Down no século XXI: houve alguma mudança?

    No dia 21 de março mais de 40 países comemoram o Dia Internacional da Síndrome de Down. Esta data foi criada pela Organização das Nações Unidas em 2006. Qual o propósito de haver um dia especial para as pessoas com Down? Para chamar a atenção sobre uma condição que afeta, aproximadamente, 1 em cada 700 pessoas no mundo todo e que ainda carrega um preconceito muito grande.

     

    O mundo evoluiu e mudou demais nos últimos anos, especialmente neste século que mal começamos.

     

    A Síndrome de Down não deve ser considerada como uma doença crônica. É uma condição que tem uma causa genética bem definida, que é a trissomia do cromossomo 21 (ao invés de 2 cromossomos, há 3). Isso faz com que as pessoas apresentem determinadas características físicas e deficiência intelectual.

     

    Não obstante — e essa é a grande mudança que houve nos últimos tempos — estas pessoas, quando precocemente estimuladas, preferencialmente desde bebês, podem desenvolver potencialidades que garantem sua inclusão em várias atividades produtivas.

     

    A inclusão, por sua vez, abre as portas para uma vida socialmente acolhedora, o que propicia  autonomia e a possibilidade de independência, inclusive econômica. Isso é essencial e muito importante. As pessoas passam a ter uma identidade social.

     

    Crianças com Síndrome de Down devem ir para as escolas, aprender a ler, a escrever e ao longo de seu desenvolvimento adquirir o conhecimento de que necessitam para exercer uma determinada profissão.

     

    Por isso, quanto maior o número de escolas inclusivas, melhor para todos. Isso mesmo: principalmente para as outras crianças, posto que desde pequenas aprendem a brincar e a estar junto, sem quaisquer tipos de preconceitos. Aprendem, essencialmente, a conviver com a fantástica diversidade humana, que nos torna — todos nós — especiais.

     

    No Brasil há instituições como a Apae de São Paulo, que promovem o diagnóstico e a inclusão da pessoa com Deficiência Intelectual, aí incluídos os que tem Síndrome de Down, propiciando o desenvolvimento de habilidades e potencialidades para favorecer a escolaridade e o emprego apoiad?o. Temos hoje muitas pessoas com Down com atividades produtivas em diversas áreas de atuação.

     

    O preconceito é um limite. Fecha portas e impede que se veja e que se entenda a potencialidade de cada pessoa. Vamos apoiar a inclusão das pessoas com Síndrome de Down.

  • Suplementos alimentares para atividade esportiva: sim ou não?

    Quem não quer se olhar no espelho e observar o próprio corpo esculturalmente perfeito, “sarado”, dentro das medidas mais exigentes? Muitas pessoas, não é mesmo?

    Ter um corpo maravilhoso não é fácil. A natureza não premia a todos com a genética que promove a forma física ideal, atlética e modelo de consumo. A maior parte das pessoas tem que “batalhar” arduamente para ter o físico desejado.

    Nesta “batalha” travada diariamente, incluem-se uma alimentação especificamente nutritiva,  com  a restrição incondicional de determinados alimentos – muitos deles extremamente gostosos – e a “malhação” quase que diária nas academias, parques, clubes e onde mais for possível.

    Dá trabalho. Muito trabalho. Há que se ter muita força de vontade e determinação. Para ajudar a formar a tão desejada massa muscular, muitos recorrem aos suplementos alimentares. Aí é que tudo pode se complicar. Vamos entender.

    Em primeiro lugar, é importantíssimo saber diferenciar os suplementos alimentares dos anabolizantes. Um é completamente diferente do outro. Os anabolizantes são proibidos no Brasil. São substâncias derivadas de hormônios, especialmente da testosterona. Podem matar. Por isso seu uso é proibido.

    Os suplementos alimentares são liberados para consumo. Podem ser vendidos livremente. São alimentos com especificidades nutritivas. O grande problema é  que  podem complicar sua saúde, se consumidos de forma errada. Podem causar problemas no fígado e sobrecarga da função renal, por exemplo.

    Os suplementos foram desenvolvidos com o objetivo de fornecer  substratos nutritivos e necessários para promover e facilitar a formação da massa muscular ou para fornecer mais  energia, que é tão necessária para os treinos altamente exigentes. Vamos entender os prós e contras de alguns dos mais consumidos.

     

    Whey protein

     

    Começamos com o Whey Protein, talvez o mais “famoso”. Seu principal produto nutritivo  são proteínas derivadas do leite de vaca, em alta concentração.  O objetivo é fazer o músculo incorporar estas proteínas e crescer mais rapidamente. Tudo certo. Mas o problema é que se não houve “gasto” muscular suficiente, o excesso de proteínas fica circulando pelo corpo e o rim se sobrecarrega para elimina-las. Resultado: a médio prazo o rim pode ficar comprometido de tanta sobrecarga de trabalho e dar sinais de mau funcionamento.

     

    Termogênicos

    Outro tipo de suplementos bastante utilizado pelas pessoas em geral são os chamados “termogênicos”, indicados para consumo antes dos treinos. A ideia é “acelerar” o metabolismo, dar mais disposição e vigor para o treino e queimar mais gorduras. Geralmente contém cafeína, com diversas concentrações,  em suas fórmulas. O problema é que nem todas as pessoas tem indicação cardiovascular para  aumentar as respectivas frequências cardíaca e respiratória  e/ou  a pressão arterial com estes produtos antes ou durante um treino físico. Isso pode gerar problemas importantes como infartos ou acidentes vasculares. Além disso, muitas pessoas referem insônia importante que muito provavelmente  se deve às concentrações mais altas da cafeína.

     

    Carboidratos

    Há  também vários tipos de carboidratos, dentre os quais se destaca a maltodextrina, ou “malto”, como é conhecida. A maltodextrina é  rapidamente  absorvida como glicose e entra na corrente sanguínea.  Indicada principalmente para esportes aeróbicos. A ideia é aumentar rapidamente a quantidade de energia, liberada da glicose,  e disponibiliza-la  para as necessidades do treino. A glicose no sangue evita, também , que o músculo “queime” suas proteínas para produzir energia. Tudo certo. Mas cuidado com o consumo em excesso, pois pode até mesmo provocar crise de hipoglicemia, caso haja liberação excessiva de insulina. Quando usada em excesso pode levar ao aumento do ganho de peso.

     

    Aminoácidos

    Outros suplementos frequentemente consumidos são os aminoácidos e a Creatina é um dos exemplos destes nutrientes. É fornecida com o propósito de aumentar a energia dos músculos e, consequentemente, a massa muscular. Mas não faz mágica. Está indicada para quem treina intensamente. Há que se ter cuidado como consumo em excesso, pois pode sobrecarregar os rins.

    Mais importante que tudo: JAMAIS consuma estes produtos sem orientação do profissional habilitado; um nutricionista ou um médico. Cada corpo é um corpo. Cada um tem suas próprias e únicas necessidades. O que é bom para uma pessoa, pode fazer mal para outra. O que fez bem para seu melhor e mais confiante amigo(a) pode fazer mal para você. Não se iluda. Não existe mágica para um corpo bonito. Há que se ter conhecimento,  determinação e disposição para malhar e comer saudável. Converse com um profissional para orientação.

    Para se ter o corpo ideal e perfeito, portanto, antes de tudo é necessário que também se tenha a cabeça aberta, consciente e com conhecimento seguro, sólido e profissionalmente orientado do que pode fazer bem ou mal para a sua saúde.

  • Programação especial em homenagem às mulheres

    A prefeitura de Japeri vai organizar um evento em comemoração ao Dia Internacional da Mulher que é comemorado no dia 8 de março. O evento contará com oficinas, atendimento estéticos, orientações sobre serviços sociais ente outras atividades.

    A programação acontecerá na Praça Olavo Bilac das 9h às 12h.

  • Sífilis: há motivo para alarme?

    Em pleno século XXI a sífilis, uma doença antiga na história humana, da qual se conhece o agente causador, o método de transmissão, os cuidados preventivos e para a qual há um tratamento simples e relativamente barato, está aumentando sua incidência na população.

    Mais que isso: mulheres jovens, em idade fértil, estão se contaminando mais frequentemente e a sífilis congênita, consequência imediata, está aumentando de forma preocupante.

    Qual a causa para este aumento dos casos de sífilis?

    Uma só: as pessoas com vida sexual ativa estão deixando de se proteger com a camisinha. A AIDS atualmente parece que ficou esmaecida em uma história remota e para os jovens de hoje deixou de ser um problema a se preocupar. Tudo errado. Mas é assim que os jovens pensam. Resultado: hoje muitos não se lembram de colocar  a camisinha quando estão com seus parceiros(as).

    Consequência imediata: as doenças sexualmente transmissíveis, dentre as quai a sífilis (e também a AIDS)  seguem subindo suas estatísticas.

    O grande problema é que as moças grávidas com sífilis podem passar a doença para seus filhos que estão ainda em formação nos seus respectivos úteros. Estes bebês podem nascer comprometidos e apresentar sequelas para o resto da vida. Importante saber isso.

    Muitas jovens acham que só o zika vírus é que deve ser motivo de preocupação para a saúde dos bebês. As moças grávidas fazem tudo para não serem picadas pelo Aedes aegypti. No entanto, homens e mulheres tem se esquecido de evitar outras doenças também incapacitantes para os pequenos bebês, como a sífilis, por exemplo.

    Leia mais em: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/
  • Febre amarela urbana e silvestre: qual a diferença?

    A febre amarela é largamente conhecida por todos nós, brasileiros. Sabemos que é causada por um vírus, inoculado em nosso corpo pela picada de um mosquito. Sabemos que tem uma vacina bastante eficaz e sabemos também que pode ser uma doença mortal. Sabemos bastante.

    Mas só isso não é suficiente saber. Por que? Porque de tempos em tempos a febre amarela volta a nos assombrar com notícias de reincidência e mortes. É o que está acontecendo agora em algumas regiões do Brasil, principalmente na região de Minas Gerais, onde até o final da última semana havia 133 casos suspeitos e 38 óbitos. Precisamos saber um pouco mais. Vamos às principais dúvidas:
    Fala-se em febre amarela urbana e silvestre: é a mesma doença ou são vírus diferentes? Por que diz-se que o surto atual é de febre amarela silvestre?
    O vírus que causa a febre amarela urbana ou a silvestre é exatamente o mesmo. Isso significa que os sinais, sintomas e evolução da doença são exatamente os mesmos. Tudo igual. Qual é a diferença, então? A diferença está “apenas” nos mosquitos transmissores e na forma de contagio. A febre amarela silvestre é transmitida por mosquitos (Haemagogus e o Sabethes) que vivem nas matas e na beira dos rios. Estes mosquitos picaram macacos contaminados e depois picaram pessoas que adoeceram. Por isso há relato de mortes de macacos nas regiões acometidas. A febre amarela urbana não existe no Brasil desde 1942 e é transmitida  quando um mosquito urbano, o Aedes aegypti, pica uma pessoa doente e depois pica outra pessoa susceptível, transmitindo a doença. Exatamente como acontece com a dengue, zika e chikungunya.

    O Aedes aegypti é transmissor da febre amarela?
    SIM. Por isso é que devemos evitar que o vírus se espalhe, vacinando todas as pessoas das regiões acometidas. Se uma pessoa que frequentou a região de matas for contaminada, vier para região urbana e for picada pelo Aedes, pode reiniciar o ciclo urbano da febre amarela. Por isso é importante conter o surto. Felizmente temos uma vacina bastante eficaz para isso.

    Quem pode tomar a vacina?
    A vacina da febre amarela está indicada para crianças com mais de 9 meses e adultos com menos de 60 anos. Bebês de 9 meses podem tomar a primeira dose e um reforço  aos 4 anos de idade. Para os adultos, 2 doses, com intervalo de 10 anos, são suficientes para imunizar. Não é necessário repetir a vacina a cada 10 anos. As pessoas com mais de 60 anos podem receber a vacina, desde que indicada pelo médico.

    Gestantes podem ser vacinadas? E os bebês com menos de 9 meses?
    A vacina não é rotineiramente indicada para as gestantes. No entanto, cada futura mamãe merece uma avaliação individual e o médico pode avaliar o risco e o benefício para cada situação. Em bebês com menos de 6 meses a vacina é contraindicada. Para os que têm de 6 a 9 meses, a vacina pode ser dada desde que indicada pelo médico. Em épocas de surtos, em geral recomenda-se vacinar os bebês acima de 6 meses.

    E quem não sabe ou não lembra se tomou a vacina? Pode tomar de novo?
    Pode sim, desde que esteja no grupo recomendado e desde que não tenha nenhuma contraindicação para esta vacina.

    Quais são as contraindicações para a vacina? Quem não deve ou não pode tomá-la?
    As contraindicações mais importantes são alergia à proteína do ovo, bebês com menos de 6 meses ou pacientes portadores de doenças que cursam com imunodepressão ou que façam tratamentos que levem à imunossupressão. Nestas duas últimas situações, pode haver algumas exceções definidas e orientadas pelo médico que assiste cada paciente.

    Por que esta febre se chama “amarela”?
    Porque um dos sinais de gravidade da doença  é a icterícia, que deixa os olhos e a pele das pessoas com um tom mais amarelado. Os sintomas iniciais são como os de uma gripe mais forte, com febre, dores pelo corpo, dor de cabeça, mal estar, enjoo e vômitos. Depois de uns 2, 3 dias as pessoas podem melhorar ou evoluir para as formas mais graves, com acometimento do fígado e dos rins. Aí aparece a icterícia e sinais de hemorragia como sangramentos de mucosas. Felizmente as formas mais graves são mais raras e a maioria dos pacientes evolui para a cura. Quem teve a doença fica imune para o resto da vida.

    Existe tratamento específico para a febre amarela?
    Não. O tratamento é o de suporte, isto é, alívio dos sintomas.

    Os mosquitos podem nos tirar o sono não apenas com o zumbido noturno que fazem nos nossos ouvidos. Faça sua parte e não deixe  locais que possam servir de criadouros perto de você. É como abrir a porta para o inimigo entrar.

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Qual é a sua expectativa de vida?

    Temos muitas expectativas na vida. Na verdade, passamos boa parte de nossa existência buscando satisfazer nossas expectativas. Mas ter uma expectativa de vida longa e principalmente com saúde, não depende só de cada um de nós. O “destino” pode ser determinante de muitas variáveis de uma equação que nos faz viver mais, com maior qualidade nos nossos dias da vida. Uma destas muitas variáveis depende do local geográfico em que nascemos. Exatamente isso.Nesta última quinta-feira dia 01/12 o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a expectativa de vida dos brasileiros: 75,5 anos. Estamos indo bem, se considerarmos que em 1940 era de (apenas) 45,5 anos. No entanto, estamos indo mal, pois ainda estamos em 62a posição no ranking mundial.Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Japão é o país com maior expectativa de vida (83,7 anos) e, em segundo lugar, vem a Suíça, com 83,4 anos.Em todos os países, a expectativa de vida média das mulheres ( 73,8 anos) é maior que a dos homens (69,1 anos).O Brasil é um país continental e temos diferenças regionais importantes. Por isso, outra variável do “destino” é o Estado brasileiro em que se nasce. O Estado do Maranhão é o que tem a menor expectativa de vida: 70,3 anos. O Estado de Santa Catarina, por outro lado, é o que apresentou a maior esperança de vida: 78,7 anos. Na teoria é assim. Mas o “destino” pode de novo aparecer e atrapalhar todas as estatísticas. Basta que  um indivíduo irresponsável coloque o mínimo de combustível num avião que transporta pessoas de todas as idades, dentre as quais representantes de um time de Santa Catarina, jovens atletas com muitos sonhos  e muita esperança de uma vida com sucesso pela frente. O sonho, a esperança e as vidas terminaram, no seu florescer,  em destroços espalhados a alguns metros da pista.As descobertas científicas fazem nosso conhecimento médico progredir, objetivando aumentar e melhorar a qualidade de vida de todos. Isso é essencial e extremamente importante. Muitas doenças que antes eram fatais hoje já estão controladas.No entanto, de nada adianta ter conhecimento e tecnologia de última geração se as pessoas não tiverem acesso pleno e igualitário à saúde de qualidade máxima.Além disso, enquanto algumas pessoas forem dominadas pela ganância, visando apenas os próprios interesses, com total irresponsabilidade para com os outros, a esperança e as expectativas de muitas vidas acabarão irrecuperavelmente destroçadas. Vale para todos. Políticos, principalmente.

    http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Tuberculose: ainda uma emergência global

    Imagine uma doença que tem as seguintes características:

    – descobrimos há mais de um século qual é o agente infeccioso que a causa;

    – mais que isso: temos a genotipagem completa deste agente causador;

    – existe uma vacina preventiva, já administrada para os bebês na maternidade, com 48 horas de vida, e que faz parte do calendário público de vacinação;

    – é transmitida pelo contato com a respiração de uma pessoa doente;

    – não depende, portanto, de mosquitos vetores que voam por todo o lado;

    – há tratamento eficaz para a grande maioria dos casos;

    – o tratamento leva à cura completa da doença.

    Difícil – ou quase impossível – imaginar que uma doença com estas características seja considerada, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no final do século XX, uma emergência global. Pois é. Estamos falando da tuberculose.

    Segundo a OMS, aproximadamente um terço da população mundial está infectada, neste início do século XXI, sendo que 80% dos casos ocorrem em apenas 22 países, entre os quais está o Brasil, que ocupa o 18o lugar. Em 2014, o mundo registrou 9,6 milhões de casos e 1,1 milhões de óbitos entre as pessoas HIV negativas.

    No Brasil, a tuberculose é a 3a causa de morte por doenças infecciosas e a 1a causa de óbito entre as doenças infecciosas definidas nos pacientes com AIDS.

    É importante ficarmos atentos aos sintomas desta doença para não perder tempo e iniciar o tratamento o mais rapidamente possível. Isso para evitar que a doença se espalhe, pois pessoas contaminadas – que não sabem ainda que o estão – persistem tossindo e contaminando pessoas susceptíveis.

    Os sinais são pouco significativos e não chamam muito a atenção no início: uma febre baixa, que acontece geralmente no final do dia, cansaço, mal estar, sensação de fraqueza, tosse, dor no corpo, suor noturno e inapetência.

    Estes sintomas, por serem muito inespecíficos, podem perdurar meses sem que a pessoa procure o médico. Muitos confundem este quadro com o cansaço e a correria do dia a dia e “vão levando” a vida.

    Com o passar do tempo, o cansaço e o mal estar vão se acentuando, o emagrecimento se torna mais evidente e a tosse, mais persistente, pode se apresentar com sangue.

    O diagnóstico é feito com o RX e exames de escarro, onde se detecta o bacilo causador da tuberculose, descoberto por Koch, no final do século XIX.

    O tratamento da tuberculose é longo. Dura no mínimo 6 meses e é feito com uma combinação de até 4 antibacterianos que devem ser tomados todos os dias. Este é um dos problemas. Muitas pessoas, quando se sentem um pouco melhor, abandonam o tratamento. Isso é grave, não só pelo fato de que ainda não estão curadas mas também porque pode levar à resistência do bacilo.

    Hoje em dia a tuberculose resistente é um dos problemas que mais preocupa autoridades de saúde no mundo inteiro.

    Nem sempre o conhecimento científico é suficiente para acabar com uma doença. Se não fizermos uma outra importante  parte, o que significa garantir melhores condições de vida para as pessoas deste planeta, de nada adianta saber tudo. A tuberculose está aí para nos jogar isso na cara.

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • Dicas práticas para o uso de repelentes

    Está chegando a temporada do calor, chuva e a água que se vai acumulando nos restos de lixo deixados pelo descuido irresponsável: eis aí a combinação ideal para a proliferação dos mosquitos que transmitem as já conhecidas doenças – febre amarela, dengue, zika, e chicungunya-  que nos acometem e podem matar.

    O grande problema é que de tanto que se fala e já se falou nisso, ninguém mais presta  a devida atenção. Como se tudo fizesse parte da nossa vida de todo o dia e, portanto, fazer o quê?

    Neste caso, a primeira e mais urgente providência a tomar é afastar da cabeça este tipo de pensamento conformista. Há, sim, muito o que fazer. Cuidar de não deixar água acumulada e usar repelentes são duas excelentes formas para garantir a saúde e a vida: não só a sua, mas também  a das pessoas que vivem perto de você.

    Por isso, aqui vão 10 dicas práticas de como usar corretamente os repelentes:

    1. Aplique o repelente em todas as áreas expostas do seu corpo. Exatamente como se você estivesse se “pintando” com uma tinta colorida qualquer. Nenhum milímetro de pele pode ficar sem a proteção. Para isso, utilize a quantidade de repelente suficiente. Não desperdice nem economize demais.

    1. Evite o contato do repente com os olhos, nariz e boca. Uma boa dica para passar no rosto é colocar o repelente nas mãos e na sequencia aplicar com cuidado na face.

    1. Se for usar maquiagem ou protetor solar, coloque-os primeiro. O repelente deve ser aplicado depois.

    1. Evite utilizar o repelente na hora de ir para a cama. O atrito da pele com o lençol pode tirar a proteção do repelente. Além disso, o lençol funciona como uma barreira ao cheiro do repelente, que deve evaporar ao seu redor. Você supõe estar protegido e pode ser picado. Por isso, à noite, para dormir, utilize telas nas janelas, mosquiteiros ou protetores de parede.

    1. Alguns repelentes podem ser utilizados nas telas, mosquiteiros e nas roupas.

    1. Os repelentes devem ser reaplicados com a frequência determinada pelo fabricante. Leia no rótulo da embalagem.

    1. Reaplique o repelente se você entrou na água ou se suou demais.

    1. USO EM CRIANÇAS: siga as instruções do fabricante e as orientações do seu pediatra quanto às faixas etárias indicadas para o uso dos repelentes. Lembrem-se que bebês com menos de 2 meses de idade NÃO devem utilizar estes produtos. Para eles, a proteção com telas e mosquiteiros nos berços é a mais indicada.

    1. IDOSOS, GESTANTES e PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS: converse com o médico para assegurar que nenhum problema de saúde específico impede o uso dos repelentes. Em geral, estão liberados para todas as pessoas. Não esqueça de reaplicar sempre que necessário.

    1. Evite o uso de perfumes. Os insetos são atraídos por cheiros interessantes e podem chegar mais perto de você.

    Vale lembrar que os 3 tipos de repelentes recomendados pela OMS são os que contém como princípio ativo a Icaridina, DEET ou IR3535.

    Nunca se conforme com doenças que podemos evitar.

    Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/doutora-ana-responde/

  • ​Japeri vai vacinar meninos contra HPV

    A Prefeitura de Japeri, por meio da Secretaria de Saúde (SEMUS), esteve a postos com equipe composta por profissionais capacitados, para o Dia D da Campanha de Multivacinação, lançada pelo Ministério da Saúde. Centenas de pais e mães levaram seus pequenos com idade entre 0 a 5 anos, até as unidades básicas de saúde do município, para receberem doses de vacinas em atraso, ou o reforço daquelas já aplicadas. 

    A Campanha teve início em 19 de setembro de 2016, e pela primeira vez inclui todas as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo principal desta iniciativa é que todas as crianças fiquem com seus cartões de vacinação atualizados e a saúde em dia. Para isso, o Ministério da Saúde disponibilizou 19,2 milhões de doses extras, para ser distribuídas nas unidades de saúde de todo o país.

     

    Além das crianças até 5 anos, as meninas com idade entre 9 e 15 anos, também puderam receber doses da vacina contra o HPV, prevenindo assim, doença como o câncer de colo do útero. A frente do Dia D da Campanha de Multivacinação, a enfermeira Aurea Cristina falou da importância desta vacina e deu uma excelente notícia. “Em 2017, teremos mais um reforço, pois os meninos também poderão receber a dose contra o HPV. Vacinar para combater o HPV é essencial. Mães, pais, não tenham medo de trazer suas crianças para serem vacinadas. A vacina é altamente segura e previne doenças como câncer do colo do útero.”, disse a enfermeira.

     

    O prefeito de Japeri, Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor, esteve presente na Unidade Mista de Engenheiro Pedreira (UMEP), parabenizou a todos os profissionais da saúde ali presentes, mesmo com toda dificuldade pela falta de insumos, e ratificou a importância de que todas as crianças e adolescentes devem estar com o seu cartão de vacinação em dia.

     

    É importante ficar atentos às mudanças na vacinação que ocorreram em 2016, vejam:

     

    VACINAS

    COMO ERA

    COMO FICA

    HPV

     – 2 doses para meninas de 9 a 13 anos com intervalo de 6 meses;

     – 3ª dose 5 anos depois

    – 2 doses com intervalo de 6 meses para meninas de 9 a 13 anos.

    POLIOMELITE

    –  injeção aos 2 e 4 meses e gotinha aos 6 meses.

    – 2 doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos (ambas de gotinha).

    – 3ª dose passa ser a injetável.

    PNEUMONIA

    – 3 doses  (2, 4 e 6 meses de idade) e reforço entre 12 e 15 meses.

     – 2 doses – aos 2 e 4 meses e um reforço aos 12 meses.

    MENINGITE

    – 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 15 meses.

    – 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses.

     

     

    – São 14 tipos de vacina à disposição da população, veja abaixo:

     

    VACINAS

    HEPATITE A

    VIP

    MENINGOCÓCICA A

    ROTA VÍRUS

    HPV

    PNEUMO 10

    FEBRE AMARELA

    VARICELA

    PENTAVALENTE

    TETRAVIRAL

    DUPLA ADULTO

    DTP

    TRÍPLICE VIRAL

    VOL (POLIOMELITE)

  • Uniabeu oferece atendimento gratuito à pessoa que sofre abuso sexual

    Serviço de Psicologia Aplicada do Centro Universitário Uniabeu (SPA/Uniabeu) oferece à comunidade da Baixada Fluminense atendimento às pessoas que vivenciaram situações de violência e abuso sexual. O atendimento é realizado uma vez por semana, às quartas-feiras, por cinco alunos do 10° período do curso de psicologia, com supervisão clínica do professor Pedro Moacyr.
    O professor Moacyr destaca que o serviço contempla positivamente tanto o paciente quanto o estudante que está no último período de psicologia. “É uma via de duas mãos. A pessoa que vivenciou o abuso recebe apoio especializado, e o aluno desenvolve a habilidade de ouvir, fundamental para construir e desenvolver uma proposta de atendimento psicanalítico com qualidade”, explica. Na proposta de serviço à comunidade da Uniabeu, realizada em parceria com a coordenadora de Saúde Mental da Prefeitura de Belford Roxo, Renata Goes, cinco alunos de iniciação científica estão integrados. São eles: Ivair de Castro Silva, Monique Lima, Maria Cristina Macedo e Cristina da Silva Santos.

    Aos olhos da população, a iniciativa é bem-vinda. Isso porque os números revelam a crescente necessidade do apoio psicológico. É que uma estatística do Instituto de Segurança Pública (ISP), que reúne os principais crimes cometidos contra as mulheres no estado do Rio de Janeiro, mostra que a cada 100 crimes de violência sexual no estado do Rio, 85 são cometidos contra mulheres. Segundo a edição Dossiê Mulher de 2016, lançado no mês de junho, em 2015, um total de 4.612 mulheres foram vítimas de crime dessa natureza — 4.128 vítimas de estupro e 484 vítimas de tentativa de estupro. Isso significa que uma mulher foi vítima de estupro ou tentativa de estupro a cada 2 horas no ano passado.

    Respira fundo, porque isso não é tudo. O que pouco se fala é que meninos também sofrem da mesma violência. Registros de 2012 revelaram o sofrimento de 880 famílias fluminenses em razão do abuso sexual envolvendo o sexo masculino. A estatística indica que a cada dois dias, cinco estupros envolvendo meninos e adolescentes foram registrados, em média. O aumento foi de 23,8% em relação a 2011, quando foram computados 711 casos. Difícil, não? Por isso, o professor Moacyr afirma que o convênio entre a Uniabeu e a coordenação de Saúde Mental da Prefeitura de Belford Roxo é aberto a todos. “Nosso objetivo é trabalhar para diminuir o sofrimento dos que vivenciaram o abuso sexual, quando este for o caso, e proporcionar ao aluno a oportunidade do atendimento clínico”, esclarece.

    Então, fique atento. Os interessados devem fazer a inscrição através do site da Uniabeu no link http://www.uniabeu.edu.br/cadastrospa.php ou ligar para 2104-0450 ramal 468. 

    Os atendimentos acontecem no SPA com hora marcada e em salas preparadas, de acordo com as normas do Ministério da Educação e do Conselho Federal de Psicologia (CFP), e na Policlínica Especializada no Atendimento de Crianças e Adolescentes (PEACA) da Prefeitura de Belford Roxo.

    Serviço

    Atendimento de casos de abuso sexual

    Local:Serviço de Psicologia Aplicada da Uniabeu

    Endereço: Rua Itaiara, 301, Centro, Belford Roxo

    Atendimento: Quarta-feira

    Horário: 8 às 20 horas

    Inscrição: http://www.uniabeu.edu.br/cadastrospa.php ou telefone: 2104-0450 ramal 468

  • Dra. Ana fala sobre conjuntivite: dá para evitar?

    Começa com a sensação de um incômodo ocular, como se houvesse um cisco, uma “poeira” que nos obriga a piscar várias vezes. Em pouco tempo, a conjuntiva, isto é, a membrana que envolve a parte externa dos olhos e o interior das pálpebras, vai ficando cheia de vasos congestos, o que lhe dá a cor vermelha característica de que algo não está bem. Arde, coça e dói. As pálpebras incham e junto com tudo isso aparece aquela secreção amarela, um catarro, que gruda os olhos e atrapalha a visão. Aumenta o lacrimejamento. A luz do dia incomoda. Dá vontade de ficar com os olhos fechados. Pode acometer um olho só, ou ambos, não necessariamente ao mesmo tempo.

    Estes sintomas, com maior ou menor intensidade, caracterizam a conjuntivite!

    A lágrima é um lubrificante fundamental e obrigatório. Constituída por água, sais minerais (por isso é salgada) e gordura, é uma excelente defesa dos olhos. Por isso piscamos incontáveis vezes ao dia. No inverno, com os dias mais secos e poluídos, nossos olhos também ressecam e ficam muito mais expostos a processos alérgicos ou  agressões infecciosas.

    Dá para diferenciar a conjuntivite infecciosa da alérgica?
    Sim. A conjuntivite por alergia se caracteriza pela intensa coceira. As pálpebras em geral incham bastante e os olhos ficam vermelhos. Não há secreção amarelada, a não ser que haja uma contaminação secundária. Na conjuntivite alérgica, é essencial descobrir quem é  o alérgeno responsável que provoca a reação.  Limpar, hidratar e evitar coçar são as orientações mais evidentes. Há colírios antialérgicos, mas só o médico é que pode indicar.

    Dá para saber se a conjuntivite infecciosa é causada por vírus ou por bactérias?
    Sim. A conjuntivite viral em geral deixa os olhos extremamente inchados e vermelhos. Pouca secreção amarela. Incomoda demais, o lacrimejamento é intenso e a sensação de ter poeira nos olhos é bem forte. Leva em média uns 15 dias para melhorar. O tratamento é dirigido ao alívio dos sintomas, com compressas frias e colírios lubrificantes. A conjuntivite bacteriana, por sua vez,  se caracteriza pela produção de bastante secreção amarelada, muito inchaço e vermelhidão. O tratamento é feito com colírios antibióticos indicados pelo médico. Dura em média de 7 dias para sarar.

    Conjuntivite é contagiosa? Por quanto tempo?
    As conjuntivites causadas por vírus ou por bactérias são bastante contagiosas. Por isso, crianças com conjuntivite não devem frequentar escolas, creches e muito menos berçários. Adultos devem evitar contato próximo com outras pessoas. As conjuntivites infecciosas são contagiosas enquanto os sintomas agudos persistirem, o que pode levar de 7 a 14 dias.

    Como evitar a conjuntivite?
    A conjuntivite em geral passa pelas mãos ou objetos contaminados com as lágrimas ou secreções. Normalmente  não prestamos atenção quantas vezes, ao longo do dia, colocamos as mãos nos olhos. Inúmeras. A mucosa ocular é muito sensível. Por isso, a melhor forma de prevenção ainda consiste na lavagem constante das mãos e em se policiar para não colocar as mãos nos olhos.

    Vamos às dicas:

    1. Lave as mãos. Sempre e com frequência. Especialmente depois de frequentar locais onde muitas pessoas colocaram as mãos como, por exemplo, o transporte público.

    2. Fique ligado e atento: evite coçar os olhos com a mãos. Nem pense em fazer isso com as mãos sujas.

    3. Evite compartilhar toalhas de rosto, maquiagens, óculos ou outros objetos de uso pessoal.

    4. Use óculos de proteção em piscinas ou se você tem alguma atividade que possa agredir os seus olhos.

    5. Mantenha seus olhos hidratados. Lave-os com soro fisiológico. Se preciso, use colírios lubrificantes com indicação do seu médico.

    Enxergue sempre a vida com bons e saudáveis olhos!

  • Dr. Ana fala sobre o uso da tecnologia. Pode diminuir nossa inteligência?

    Quando se precisa ir de um canto a outro, ninguém mais hesita: liga o celular, clica o destino e em segundos surge na tela a melhor opção de caminho, com a quilometragem e o tempo gastos no percurso. Tudo o que temos a fazer é seguir as orientações, sem nenhum esforço.

    Aplicativos existem com as mais variadas e incríveis funções: identificam e indicam as músicas de que você mais gosta; afinam, com a maior facilidade, os seus instrumentos musicais e vão muito mais longe: são até capazes de encontrar seu par “romântico” para um encontro quando surge na tela a palavra “match”. Grupos de “amigos”  virtuais se comunicam por meio de infinitas mensagens, fotos ou vídeos, gastando um tempo precioso – que muitos afirmam não ter – de pessoas que nem sequer se  conhecem direito e que, por exemplo, jamais sairiam juntas para jantar.

    Os eletrônicos e seus fabulosos aplicativos têm como objetivo essencial facilitar nossa vida tornando-a mais ágil, mais dinâmica, mais eficaz e mais produtiva. Estima-se, claro, que tudo isso a torne também mais inteligente e feliz. Mas nem sempre é assim que acontece.

    Vale uma reflexão: se, por um lado, a utilização de toda esta tecnologia fascinante e encantadora nos atrai impulsiva e conscientemente, por outro há que se ter em mente que ela também pode nos “emburrecer”. Exatamente assim. A tecnologia veio para ajudar e simplificar. Mas isso também pode significar que esta “facilitação” nos impele  pensar menos. Nossas decisões deixam de ser nossas. Apenas seguimos as orientações da telinha, sem esforço e sem gastar nossas sinapses, conexões neuronais ou neurotransmissores. Importante vigiar-se para que, de soberanos, não passemos à condição de escravos.

    O cérebro precisa e deve ser exercitado. Sempre e cotidianamente, com as pequenas ou grandes decisões e atitudes do dia a dia. Precisamos pensar. Precisamos lembrar de não esquecer. Para isso, aqui vão algumas dicas que podem parecer óbvias mas que com certeza nos ajudam a agilizar e aprimorar nossa memória e nossa  capacidade de raciocinar.

    1. Decore os telefones das pessoas mais próximas de você. Ao invés de clicar o nome, digite os números. E procure decorar também o dos seus amigos nem tão próximos assim. Há 30 anos fazíamos assim. E funcionava muito bem.

    2. Imagine e determine o trajeto do carro de um ponto a outro. Elabore mentalmente mais de uma possibilidade de caminho. Exercite seu raciocínio espacial. Depois que você fizer isso, aí tudo certo conferir no aplicativo para definir por onde tem menos trânsito.

    3. Tente fazer pequenos e cotidianos cálculos matemáticos de cabeça. Por exemplo, em um restaurante, não use a máquina de calcular para dividir a conta. Faça-a de cabeça.

    4. Exercite sua memória: tente lembrar o que você comeu ou vestiu há 7 dias atrás. Faça isso com frequência. Desafie seus amigos a fazê-lo também.

    5. Leia. A leitura é uma das formas mais sólidas de exercício mental. Mais eficaz ainda é contar depois para alguém as histórias interessantes lidas e elaboradas.

    Os eletrônicos e aplicativos são fantásticos. Use-os, com certeza. Mas não deixe de exercitar seu raciocínio. Use seu cérebro. Quanto mais, melhor fica.

  • Dr Ana responde: Dor de cabeça pode ser sinusite?

    Dor de cabeça é uma das queixas mais comuns das pessoas, em todos os tempos de todas as eras da história humana. Tão comum que serve até de “desculpa” quando não se tem vontade de executar uma tarefa ou ir a algum lugar. Mais ou menos assim: a dor de cabeça, quando verdadeira, imobiliza a vida. A cabeça que dói impede que qualquer atividade seja realizada com lucidez, bom humor e tranquilidade. Por isso todos a entendem e respeitam.

    A dor de cabeça é um sintoma ou um sinal de que algo não está bem. Há um desequilíbrio orgânico que a justifica e que precisa ser descoberto. Um analgésico pode tirar temporariamente a sensação dolorosa, mas se a causa persistir e não for combatida, a dor certamente voltará.

    Há vários tipos e intensidades de dores de cabeça. Nenhuma é igual à outra. Há as que são contínuas, as pulsáteis, as que incidem na cabeça inteira, as que acometem só um lado, ou só a testa, e as que são acompanhadas de outros sinais e sintomas. Todas têm a peculiaridade de possuírem tons e gradações que vão desde dores mais leves até as  mais intensas, que inabilitam a pessoa por um ou mais dias. Assim é que, para elucidar a causa, o médico deve entender todas as características da dor.

    A sinusite, nestes tempos invernais, pode, sim, ser uma das razões que explicam a quantidade de pessoas que tem se queixado de dor de cabeça.

    O ar mais frio, seco, poluído e a aglomeração de pessoas em locais fechados facilitam a exposição e o contágio por agentes infecciosos que, uma vez inalados, podem desencadear quadros como o da sinusite em pessoas mais predispostas. A sinusite aguda  é uma infecção de uma região da cabeça chamada seios da face. Os seios da face compreendem a região da “maçã” do rosto, ao lado do nariz e a testa. As secreções contaminadas penetram nestes seios levando a uma intensa reação inflamatória e infecciosa. Resultado: secreções aumentadas e infectadas, congestão, mal estar, tosse, principalmente noturna, dores pelo corpo e… dor de cabeça.

    A dor de cabeça da sinusite tem características específicas: geralmente é pulsátil, sendo que piora e pulsa mais quando abaixamos ou mexemos a cabeça de um lado para o outro. Os locais mais doloridos são a testa ou a região das “maçãs” da face. Muitas pessoas até acham que estão com dor de ouvido ou dor de dente. Confunde mesmo. Pode acontecer durante o dia e/ou à noite, e piora  com a tosse ou com os espirros. Geralmente não há aura ou enjoos associados. O nariz fica tapado, dificultando a respiração, a tosse tem catarro e muitas vezes aparece uma ou duas horas depois que se deita.

    O diagnóstico pode ser feito com base na história clínica  e no exame físico do paciente. Se o médico quiser, no entanto, pode solicitar exames de imagem. Saliente-se que o conhecido e popular raio X de seios da face pode não ser o procedimento de escolha para crianças, uma vez que a aeração completa dos seios da face só acontece após os 7 anos de idade. Além disso, qualquer gripe ou resfriado com sinais de congestão podem levar a um resultado positivo, o que nem sempre significa sinusite. Por esta razão, muitas pessoas que supõem ter sinusites de repetição tem, na verdade, outras causas para a dor frequente de cabeça como, por exemplo,  uma crise de enxaqueca.

    Fique atento: sinusite pode dar dor de cabeça, mas nem toda dor de cabeça é sinusite!

  • Dr. Ana fala sobre obesidade infantil e refrigerantes

    Os números da obesidade infantil no Brasil assustam. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) tem-se que aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos no Brasil está com excesso de peso. A região sudeste predomina, com 38,8% das crianças acima do peso, seguida pelas regiões sul (35,9%), centro oeste (35,1%), nordeste (28,1%) e norte (25,6%).

    Grande motivo para preocupação é que estes números estão aumentando. Imaginar que 1 em cada 3 crianças brasileiras está com o peso acima do esperado para a idade é extremamente alarmante. Quais razões seriam as apontadas para tal?

    Na semana passada a Ambev, Coca Cola Brasil e a PepsiCo anunciaram que a partir de agostovão ajustar o portfolio de bebidas vendidas nas cantinas das escolas. Para as crianças com menos de 12 anos de idade estarão disponíveis apenas água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos. Esta decisão baseia-se no fato de que crianças menores de 12 anos não tem ainda discernimento suficiente para fazer suas escolhas nutricionalmente mais adequadas. Optaram por oferecer-lhes alimentos com maior valor nutritivo. Isso é muito importante. Nas escolas, os “refris”, portanto, estarão fora do alcance desta turminha. Se pensarmos que em cada latinha há uma média de 37 gramas de açúcar, entenderemos que esta é uma excelente decisão. Ponto para as empresas.

    Mas isto seria suficiente para diminuir as preocupantes taxas de sobrepeso e obesidade infantis? Claro que não. Óbvio que os refrigerantes não são os responsáveis por estes números crescentes de crianças com excesso de peso  que, na vida adulta, estarão destinadas a uma qualidade de vida mais precária com as prováveis comorbidades associadas como, por exemplo, maior propensão à diabetes ou às doenças cardiovasculares; quais sejam, hipertensão, acidentes vasculares cerebrais ou infartos.

    Quem ou o quê, então, estaria por trás destes números crescentes de sobrepeso e obesidade infantis?

    O estilo de vida das famílias contemporâneas. Vamos refletir um pouco sobre isso.

    Crianças pequenas não vão ao supermercado sozinhas, e muito menos pagam as contas no caixa. As prateleiras das casas são abastecidas por adultos que fazem as opções de compras.

    Crianças pequenas não cozinham. Quem prepara os pratos das famílias são adultos que teoricamente tem consciência do que deve ser mais saudável para a família.

    Crianças pequenas gostam de brincar ao ar livre, jogar bola, correr ou se espalhar pelo ambiente. Arrumar-lhes espaço para tal – um parque aos finais de semana, por exemplo –  é um dever dos adultos, supostamente conscientes da importância de exercícios físicos em todas as idades.

    Crianças pequenas não conseguem, sozinhas, comprar eletrônicos que as consomem e cruelmente roubam sua capacidade de gastar a energia física de forma saudável.

    Louvável decisão das empresas. Mas retirar os “refris” do cardápio infantil ou das prateleiras de todos os supermercados do mundo definitivamente não irá, como num passe de mágica, resolver o problema da obesidade infantil.

    A resolução está nas mãos – e principalmente na consciência – de cada família.

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